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Meados a finais de Junho de 1968
Elvis começa os ensaios para as filmagens do seu primeiro
especial televisivo. É feita uma conferência de imprensa em 25
de Junho.
As filmagens são feitas em 27, 28, 29 e 30 de
Junho.
Mais vulgarmente conhecido por The ’68 Special ou The
’68 Comeback, mas o verdadeiro título deste marco televisivo
é Elvis.
Os anos 60 trouxeram consigo uma grande mudança cultural da
música pop. Mudança para a qual Elvis tinha ajudado a pavimentar
o caminho durante a década anterior, quando explodiu em cena com
a sua mistura única de pop, rock, country, R&B e influências de
gospel. Como se concentrou na sua carreira cinematográfica
durante os anos 60, Elvis foi ficando cada vez mais afastado da
cultura do mundo pop da actualidade.
Tinha andado a fazer filmes uns atrás dos outros, e a maior
parte dos álbuns que tinha colocado no mercado tinham sido
bandas-sonoras. Nos anos 50 e início dos anos 60, os filmes e os
respectivos discos tinham sido espectacularmente bem sucedidos,
mas para o final dos anos 60, os filmes e os discos, mesmo assim
lucrativos, nem sequer chegaram a ter o tipo de sucesso que
tinham tido antes. Elvis tinha atingido o nível supremo de
frustração com o estado da sua carreira e com todas as suas
limitações no que tocava à sua criatividade e expressão
artística.
Tinha tido a esperança de vir a ser um actor sério, mas
Hollywood tinha tido outras ideias e Elvis tinha cooperado com
eles. As suas oportunidades para mostrar o seu verdadeiro
talento como actor tinham sido muito poucas. Estava mais do que
pronto para uma mudança. Por esta altura, já tinham passado mais
de sete anos desde que Elvis se tinha apresentado perante um
público ao vivo. Elvis sentia saudades da proximidade do seu
público, da energia e da excitação de uma actuação ao vivo.
O
'68 Special
começa com Elvis a cantar uma versão nova e quente da corajosa
Trouble, retirada do seu filme de 1958,
King Creole. Isto
leva a Guitar Man que, com a sua letra semi-autobiográfica, se
torna no tema de fundo do espectáculo.
Depois, Elvis reúne-se com dois elementos da sua banda original
dos anos 50, o guitarrista Scotty Moore e o baterista D.J.
Fontana. (O contrabaixista Bill Black tinha já morrido há alguns
anos). Sentam-se juntos sobre o palco em círculo, juntamente com
outros amigos e associados de Elvis para uma jam session
informal de canto e contar de histórias. Partes desta jam
session são incluídas pelo meio do espectáculo. Também há
sequências de Elvis a tomar o palco sozinho e a cantar muitos
dos seus rocks e baladas de sucesso. Também apresenta uma nova
canção, Memories.
Podemos concluir que ele despeja anos de frustração de uma
carreira e energia criativa retraída na apresentação destas
canções. O seu talento natural, carisma, sensualidade e presença
sobre o palco não tinham diminuído pelos anos afastado, em
Hollywood. De facto, ele tem um aspecto, um som e uns movimentos
ainda melhores do que já tinha. Aos 33 anos, está melhor do que
nunca. Melhor do que qualquer artista do meio.
Para os segmentos de jam session em grupo e actuações a
solo sobre o paclo, Elvis veste um fato de cabedal negro
especialmente concebido para o programa por Bill Belew, que
também concebeu todo o restante guarda-roupa do elenco. O
aspecto geral evoca os filmes dos anos 50 tipo motoqueiro da era
de James Dean e Marlon Brando, a era em que Elvis tinha sido
proclamado pela primeira vez Rei do Rock’n’Roll.
Num dos segmentos da jam session, Elvis diz que foi o
gospel que deu origem ao rock and roll. A isto segue-se uma
porção de música gospel do programa, na qual Elvis usa um fato
de duas peças em vermelho, cantando Where Could I Go But To The
Lord, Up Above My Head e Saved, apoiado pelo grupo vocal
feminino The Blossoms, e acompanhado por um grupo de bailarinos
– tudo isto para obter um número de produção gospel muito
entusiasmante.
Mais para o final do especial, Elvis surge para um número de
produção prolongado que, por meio das canções, dança, karaté e
várias situações, percorre o caminho de um jovem desde a sua
luta inicial como guitarrista, através dos desafios, perigos e
compromissos que lhe foram surgindo durante a viagem em direcção
aos seus sonhos de sucesso e super estrelato. Algo se perdeu ao
longo do caminho.
Mal o sonho é alcançado, o homem apercebe-se de que continua a
sentir-se por realizar, que abandonou o seu verdadeiro ser.
Decide regressar às suas raízes, fazer o que o faz mais feliz, o
que faz melhor. Canta “I’ll never be more than what I am… a
swingin’ little guitar man” (Nunca serei mais que aquilo que
sou… um guitarrista). Os paralelos com a própria vida de Elvis
são óbvios e deliberados, e quando fez este especial de ’68,
fê-lo para representar o regresso ao seu verdadeiro ser, às suas
raízes. Livre dos compromissos com Hollywood, este é o Elvis
cantor, o artista, o músico, o homem – o verdadeiro Elvis.
No final do especial Elvis surge sozinho, com um fato branco e
simples de duas peças, parado em frente de um fundo enorme de
luzes vermelhas que soletram ELVIS. Canta uma canção nova,
If I
Can Dream, especialmente escrita para o programa. Os
compositores tinham criado a canção com base em conversas com
Elvis sobre as suas próprias ideias acerca dos turbulentos anos
60. Parecia apropriado que o final do espectáculo fosse feito
com alguma espécie de afirmação pessoal. O seu desempenho
poderoso e apaixonado desta canção de esperança para a
humanidade é um dos momentos mais brilhantes da sua carreira
como cantor.
Julho/Agosto de 1968
Elvis grava o tema e depois faz as filmagens do seu vigésimo
nono filme, Charro!, um western dramático, mais uma vez
um papel muito diferente. Elvis deixa crescer a barba para esta
representação. A canção tema seria ouvida durante o genérico de
abertura, mas não haveriam mais canções de Elvis em todo o
filme. Este seria o primeiro e único filme em que Elvis não
cantaria em frente da câmara.
Outubro/Novembro de 1968
Elvis grava a banda-sonora e faz as filmagens para o seu
trigésimo filme, The Trouble With Girls (And How To Get Into
It). Canta neste filme, mas em situações muito naturais,
para variar. É também ele um filme bastante diferente dos filmes
típicos de Elvis.
Live a Little, Love a Little
estreia nos Estados Unidos em Outubro e não se sai muito bem.
If I Can Dream, do especial de ’68 que em breve seria difundido
pela TV, chega à 12ª posição na tabela de singles pop em
Novembro, fazendo desta canção o seu melhor single desde 1965.
3 de Dezembro de 1968
Elvis,
o especial televisivo de 1968, é difundido pela primeira vez
pela NBC e é um dos melhores momentos televisivos do ano,
recebendo críticas espantosas tanto por parte do público como
por parte dos críticos. O álbum da banda-sonora chega à 8ª
posição na tabela pop. Acerca do espectáculo, o crítico de rock,
John Landau, disse:
“Há algo de mágico quando observamos um homem que se perdeu a
voltar a encontrar o caminho de regresso a casa… Cantou com o
tipo de poder que as pessoas já não esperam encontrar nos
cantores de rock’n’roll.”
Anos mais tarde, o escritor de rock, Greil Marcus, recordaria o
espectáculo da seguinte maneira:
“Foi o melhor momento musical da sua vida. Se é que alguma vez
houve música que sangra, então, foi aqui.”
Elvis,
o especial televisivo de 1968, viria a ser amplamente
reconhecido como um dos verdadeiramente incríveis momentos
televisivos na história da música pop/rock. Depois deste
programa, tudo muda para Elvis. Ele coloca uma energia criativa
renovada em todo o seu trabalho de gravação. Também estaria
prestes a terminar as suas obrigações cinematográficas e a
regressar a tempo inteiro para os concertos ao vivo, iniciando
uma nova e excitante fase da sua carreira. O seu super estrelato
ainda estava para alcançar o auge.
Se quiser ver mais fotos de
Elvis neste espectáculo, consulte a
Galeria.
Dezembro de 1968
Elvis termina as filmagens de The Trouble with Girls.
Janeiro/Fevereiro de 1969
Elvis tinha estado a fazer todo o seu trabalho de gravação em
Nashville ou Hollywood desde que tinha assinado contrato com a
RCA. Mas agora voltava a gravar em Memphis pela primeira vez
desde 1955. Faz sessões maratona que duram toda a noite no
American Sound Studio. O seu trabalho feito aqui viria a ser
considerado como alguma da melhor música de toda a sua carreira,
o seu melhor trabalho desde os dias inovadores na Sun e dos
primeiros dias excitantes na RCA antes de ir para a tropa.
Elvis tem material excelente por onde escolher e dedica-se de
coração e alma às sessões. Também trabalha com muitos dos
melhores músicos de Memphis. O som é fresco e arrojado. Em todas
as faixas podemos sentir a sua excitação e energia criativas. É
um trabalho alegre depois de vários anos de aborrecimento
filmográfico. Dois álbuns viriam a sair destas sessões. As
sessões também originariam quatro singles de sucesso, a ser
lançados mais para o final deste ano e no início de 1970:
In the
Ghetto, Suspicious Minds, Don’t Cry Daddy e
Kentucky Rain.
Março/Abril de 1969
Elvis regressa a Hollywood para filmar e gravar a banda-sonora
do seu trigésimo primeiro filme, que viria também a ser o seu
último filme com um papel para representar. Trata-se de
Change of Habit, com Mary Tyler Moore. Elvis representa o
papel de um médico de gueto numa cidade nortenha, com origens no
Tennessee. Mary Tyler Moore e duas outras freiras vão
“disfarçadas” para o gueto para ajudar a resolver problemas de
saúde e sociais da comunidade. O tema, embora fosse sério e
actual, não é muito bem apresentado pelo argumento na opinião de
muitos, e o título é frívolo.
Mas Elvis tem um aspecto magnífico e faz um desempenho natural,
fácil e que devia ser mais apreciado – algo que é um prazer
refrescante de ver depois das patetices que teve de suportar nos
seus filmes durante a maior parte dos anos 60. As poucas canções
do filme são boas e apresentadas de forma natural, em vez das
habituais e forçadas situações.
Março de 1969
Charro!
estreia nos cinemas e não se sai muito bem nas bilheteiras.
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Início do '68 Special.












 
Final do '68 Special.

Elvis, em
Charro!

Elvis, em The
Trouble With Girls.

Elvis, com Mary
Tyler Moore, em Change
of Habit.
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