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Destaque da Revista Elvis 100%

Nesta secção poderá ler algo que foi publicado na nossa revista bimestral mais recente. Neste caso, a informação foi retirada da nossa edição Nº. 41 (Janeiro/Fevereiro 2008). Para saber qual é o conteúdo total desta revista, Clique


que vida maravilhosa: 1935-2007

 

(Em baixo estão a página 32 e 33 deste artigo publicado na Revista Nº 36, da autoria de Greg Akers e Chris Herrington, enviado pela sócia portuguesa, Aura Guedes, de Cinfães. Trata-se de um artigo fictício, publicado pelo site www.memphisflyer.com em 09 de Agosto de 2007.)

Elvis Presley, o homem que deu início à revolução do rock-and-roll a partir de um pequeno estúdio e Memphis em 1954 e que viria a ser um dos artistas mais reconhecidos em todo o mundo, faleceu na passada Segunda-Feira, dia 6 de Agosto, de paragem cardíaca, na sua casa de Horn Lake, no Mississippi. Tinha 72 anos de idade.

Já tinham decorrido seis anos desde que o seu primeiro ataque cardíaco havia atirado com aquele a quem muitos chamam de “O Rei” para uma mini reforma e 30 anos volvidos desde que uma overdose de medicamentos havia ameaçado a sua vida, então num caos, e que para sempre alteraria a sua carreira: a recuperação da sua saúde, o final do seu relacionamento com o empresário de punhos de aço, “Coronel” Tom Parker e a retirada do campo musical durante vários anos.

Depois do seu regresso à vida pública nos anos 80, Presley misturou concertos ao vivo esporádicos, mas de grande qualidade, com apresentações em disco e uma série de aventuras no mundo dos negócios que em nada têm a ver com a música, incluindo a detenção de propriedade sobre os NFL Memphis Hound Dogs. Nos anos 90, Presley regressou aos concertos ao vivo regulares, com presença constante no Hilton Hotel e Casino Tunica, dando início a um dramático regresso como músico e estrela de cinema na última década da sua vida. 

“Mesmo à beira da morte” 

Em 16 de Agosto de 1977, Presley foi encontrado na sua casa, em Graceland, perto do meio-dia – inconsciente sem que conseguissem reanimá-lo – pela sua noiva, Ginger Alden. Segundo rumores nunca confirmados, Alden descobriu Presley caído no chão da sua casa-de-banho; tudo o que ele seria capaz de dizer sobre esta situação, mais tarde, foi que se tratou de “uma cena lamentável.” Levado de urgência para o Baptist  Memorial  Hospital por paramédicos, Presley, aparentemente vítima de uma overdose de drogas medicamentadas, entrou em coma e temeu-se muito que não fosse capaz de sobreviver. Numa declaração que fez nos degraus do hospital, o pai de Presley, Vernon, anunciou ao mundo, “O meu rapaz talvez não se safe.” O próprio Presley diria depois que esteve “mesmo à beira da morte.”

No dia seguinte, Presley acordou e teve alta do hospital três dias depois. Deu entrada na Clínica Hazelden, no Minnesota, um centro de reabilitação de abuso de drogas e álcool, onde iria permanecer durante um mês.

Os mais chegados a Presley sentiram-se chocados por verem como ele tinha quase morrido e as culpas sobre essa situação depressa começaram a correr mundo. Supostamente Vernon teve uma discussão com o médico pessoal de Presley, o Dr. George Nichopoulos. No entanto, Presley não culpou ninguém a não ser ele mesmo. (Muito embora tenha mesmo terminado a sua relação com o “Dr. Nick” e tenha dito aos seus associados para se endireitarem ou para se irem embora).

De regresso a Graceland em Outubro, Presley começou a recuperar a sua vida. O seu empresário, o “Coronel” Parker, queria que Presley regressasse à estrada ou ao estúdio de gravação. (Tinha-se marcado uma tournée com início a 17 de Agosto, mas a hospitalização de Presley tinha provocado o seu cancelamento). Desejando nada mais do que ser deixado em paz e por temer voltar a cair no seu anterior estilo de vida, Presley recusou-se a fazer ambas as coisas. Deu-se uma terrível discussão, resultando na quebra dos elos entre os dois – se bem que Parker tenha sempre mantido que ele é que se despediu, em vez de ter sido Presley a despedi-lo das funções de empresário.

Um relacionamento que se fortaleceu depois do susto provocado pela overdose, foi o de Presley e Alden. Em 16 de Fevereiro de 1978 o casal casou  numa cerimónia discreta  que  teve lugar em Graceland.

Mas, com uma constante corrida de fãs, visitantes e pessoas bem-intencionadas aos portões da sua casa, Presley sentia-se cada vez mais preso no seu lar que ficava na rua que havia sido oficialmente chamada de Elvis Presley Boulevard a partir de 1972. Presley queria ter um local para onde pudesse ir e passear ao ar-livre sem ter de se preocupar com os olhos prescrutadores do mundo. Tudo isto iria mudar quando Ginger anunciou que estava grávida. Lembrando-se com carinho do tempo que havia passado no rancho que tinha tido em meados dos anos 60, o Circle G, perto de Horn Lake, no Mississippi, Presley tratou de tudo para readquirir a propriedade de 160 hectares. Em 1979, Presley, uma Ginger grávida de sete meses e Vernon mudaram-se para o rancho. A sua filha, Lisa Marie, continuou a dividir o seu tempo entre Mississippi e Los Angeles, onde a ex-mulher de Elvis, Priscilla, vivia.

Em 19 de Junho de 1979, Jesse Vernon Presley – que recebeu este nome em homenagem ao pai de Elvis e do seu irmão gémeo que morreu ao nascer, Jesse Garon – nasceu. Deleitado por ser pai mais uma vez, Presley e a sua família instalaram-se numa vida confortável no rancho. Presley continuou a explorar assuntos espirituais e religiosos e começou a reverter fisicamente os abusos que as drogas e uma vida pouco saudável tinham provodado no seu corpo. Começou a comer de forma mais saudável e a fazer exercício, praticando artes marciais e a fazer corridas matinais na sua propriedade. Diz-se que esta foi a altura mais feliz da vida de Presley.

No início dos anos 80, uma má fase a nível financeiro – devido a um catálogo musical antigo estagnado e por não ter gravado nada de novo – fez com que Presley tivesse, mais uma vez, de estabelecer elos com o mundo exterior. Começou com uma aventura negocial que em nada tinha a ver com a música: uma cadeia de restaurantes de comida rápida de receitas sulistas, chamada Gladys’ Kitchen. Com o nome inspirado na sua falecida mãe, o primeiro Gladys’ Kitchen abriu as suas protas no 1447 da Union Avenue, em Memphis, em 1980.

O prato de assinatura do menu era uma sanduíche frita de manteiga de amendoim e banana. Hamburguers com manteiga de amendoim ou queijo de pimentos também faziam parte da ementa. Depois do sucesso em Memphis, a Gladys’ Kitchen expandiu-se pelo Sudeste, tendo já 18 restaurantes abertos no início de 1982. Mas este negócio também estaria condenado a durar pouco, quando um crítico de alimentação de Nova Iorque, natural do Mississippi e chamado Craig Clairborne, publicou no New York Times, um único comentário que reduzia os Gladys’ Kitchen a um zero no que tocava à alimentação: “Horrível”. Terminando tão depressa como tinha começado, até o Gladys’ Kitchen original (que foi o último a fechar) teve de fechar as portas em 1984. Agora é um Taco Bell.

Duas outras oportunidades de negócio provaram ser mais vantajosas. A primeira foi incentivada pelo amigo da escola secundária de Presley, George Klein. Ouvindo Elvis a ruminar sobre o que fazer com Graceland, Klein fez uma sugestão louca: Transformar Graceland num stand de vendas da Cadillac. E assim, em Outubro de 1983, a Klein’s King Cadillac abriu os seus portões nos terrenos renovados de Graceland, para vender modelos novos e clássicos do veículo. Esta aventura entre dois sócios teve um sucesso moderado no início – aqueles não foram grandes anos de lucro para a indústria automóvel americana – mas com o tempo, a Klein’s King Cadillac conquistou um grupo de clientes de culto, especialmente aqueles que os procuravam pelos seus conhecidos modelos cor-de-rosa. Sendo um símbolo de estatuto social para as celebridades e para os fãs, os compradores de automóveis na King Cadillac incluíram, ao longo dos anos, Nicolas Cage, Johnny Depp, Axl Rose e Quentin Tarantino.

A segunda aventura negocial assegurou as finanças de Presley para um futuro distante. Sendo um consumidor leal e antigo de Mountain Valley Spring Water, Presley deu um salto financeiro na empresa em 1987. Com sede em Hot Springs, no Arkansas, até os investidores se mudarem para New Jersey em 1966, a Mountain Valley Spring Co. foi adquirida pela Elvis Presley Enterprises e devolvida à sua casa original. O investimento de Presley provou ser vastamente lucrativo, estando no topo de vendas das marcas de água mais vendidas até aos dias de hoje.

Depois do falhanço de Gladys’ Kitchen, Presley tomou uma difícil decisão: o seu pai foi substituído como seu empresário pessoal. Então com 66 anos de idade, Vernon tinha muito boas intenções, mas a sua saúde declinava. O seu substituto foi Jerry Schilling, um amigo de Presley de longa data, e o elemento mais jovem da “Máfia de Memphis”, antes do grupo ter sido desmembrado com eficácia. Um empresário experiente, tendo já trabalhado com as Sweet Inspirations, os Beach Boys e Billy Joel, Schilling veio ter com Presley com uma proposta: era tempo de regressar ao estúdio de gravação. Presley resistiu no início – já não cantava para um microfone há quase 6 anos. Mas Schilling conseguiu convencê-lo a entrar no estúdio amigável de Sam Phillips, em Memphis, com o produtor Chips Moman, para uma sessão de gravação de um dia em 21 de Dezembro de 1982.

Muito embora a sessão não tenha produzido gravações finais, foi vista na indústria musical como um momento histórico para o Rei, criando ondas de excitação por entre os mais chegados. Poucos meses depois, o artista/produtor Barry Gibb contactou Schilling com uma proposta para fazer um álbum com novas canções com Presley. Intrigado, Presley concordou ir até Nashville para gravar uma canção: Islands in the Stream – escrita por Barry, Maurice e Robin Gibb – num dueto com Dolly Parton. A canção viria a ser o primeiro single do álbum Burlap & Satin, de Parton. Sobre a sessão de gravação, Presley diria a um repórter, “´É como andar de bicicleta – e eu não andei em nada mais do que um cavalo durante muito tempo.”

Islands in the Stream foi lançado em Agosto de 1983, sendo a primeira nova gravação de Presley desde 1977, e foi um sucesso enorme. O disco chegou ao 1º lugar em 29 de Outubro e ali ficou durante 3 semanas antes de ser suplantado por All Night Long, de Lionel Ritchie.

Islands in the Stream foi o primeiro êxito de  Top  40  de  Presley nos Estados Unidos desde Suspicious Minds, em 1969. Considerada a Canção do Ano pela Billboard, Islands in the Stream também ganhou um Grammy na categoria de Melhor Desempenho Vocal Pop e um American Music Award (AMA) na categoria de Canção de Country Favorita. Mas com o regresso ao sucesso musical viria também a tristeza. Vernon Presley, então com 67 anos de idade, morria de ataque cardíaco em 15 de Março de 1984, no Rancho Circle G. Foi sepultado no seu rancho, ao lado da mãe de Elvis, Gladys, que tinha sido transladada do Forest Hill Cemetery, de Memphis, já há alguns anos. A morte do seu pai afectou profundamente Presley. Passou mais tempo com Ginger, Jesse e Lisa Marie e procurou consolo junto dos seus amigos de longa data, especialmente Schilling e Klein. Também fez as pazes com Red West, Sonny West e Dave Hebler, de quem se havia afastado desde que tinham publicado um livro sensacionalista em 1977, intitulado Elvis: What Happened?

O Palco do Mundo

O passo seguinte de Presley no mundo da música teria um efeito muito maior. Com a fome a devastar a Etiópia, o músico/activista Bob Geldof e Midge Ure organizaram o Live Aid, um concerto à escala global para ajudar aquela nação esfomeada. Músicos de todas as classes e passados responderam ao chamamento; e Presley não foi excepção.

Na sua primeira apresentação em público desde 1977, Presley liderou o concerto de Filadélfia, no JFK Stadium, em 13 de Julho de 1985. Actuou perante 90.000 pessoas e uma estimativa de 1,9 bilião de espectadores em 100 países, cantando In The Ghetto, Burning Love e, em dueto com Tina Turner, Proud Mary. Para a maior parte dos espectadores, foi a primeira vez que puseram os olhos em cima do novo, elegante e saudável Elvis. De forma memorável, muito dos outros artistas a actuar nesse concerto, incluindo Mick Jagger, Madonna e os Run-D.M.C., sentaram-se no palco para escutar com atenção a sua actuação e as suas palavras. Presley até presenteou o público com um pouco do seu infame abanar de ancas. Quando lhe perguntaram sobre isso mais tarde, disse, “O ritmo é uma coisa que se tem ou não se tem, mas quando se tem, tem-se por todo o lado.”    

(Continua)

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