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Local
– For Dix, Nova Jérsia
Entrevistador
–
Desconhecido
Elvis, posso fazer-lhe algumas perguntas: gostaria de passar mais
tempo no Exército?
Se
gostaria de passar mais tempo no Exército. Tal com disse, estava
ansioso por regressar ao show business. Responderei a isso dizendo
que me sinto feliz por ter servido o país durante dois anos e por
ter corrido tão bem como correu, mas estou também muito feliz por
estar de volta para fazer o que fazia antes.
Corre
por aí um rumor, Elvis, que está a planear casar-se em breve. É
verdade?
Não,
senhor. Não espero continuar solteiro para sempre, senhor, só que…
acho que isso varia de pessoa para pessoa, a altura em que se pode
querer casar. Saberei quando tiver essa vontade.
Por
outras palavras, é só um rumor. Não tem data marcada.
Não
tenho data marcada, ainda estou para conhecer alguém com quem queira
casar. Mas quando isso acontecer, não fará diferença alguma se tiver
25 anos, 45 anos ou 70.
Muito
bem. O que acha que o Exército fez por si, Elvis?
Acho que
agora tenho uma melhor compreensão da vida, fiz muitas amizades,
como também já disse. Acho que foi uma grande ajuda sob muitas
formas.
Tem
alguns planos imediatos?
Quero ir
para casa por um tempo e depois vou gravar alguns discos. E depois
vou fazer um espectáculo televisivo com Frank Sinatra, para a ABC,
de seguida o filme G.I. Blues para o Sr. (Hal) Wallis e
depois disso, mais dois filmes para a Twentieth Century-Fox.
Agora
que está prestes a ser desmobilizado do Exército, Elvis, acha que
dois anos de vida militar fez mudar a sua opinião acerca do rock and
roll?
Vida
militar? Não, não fez. Não mudou em nada a minha opinião porque eu
estive nos tanques durante muito tempo e eles até que estremecem e
abanam (rock and roll) bastante.
Elvis, você tem uma data de fãs aos gritos lá fora. Ainda gosta de
raparigas que gritam?
(Ri-se).
Se não fosse por eles, teria de voltar a ir para o Exército, senhor,
é só o que tenho para dizer.
Elvis, foi dito que gostou tanto do Exército que quer escrever um
livro sobre isso. Consideraria voltar a entrar no Exército?
(Ri-se).
Não, senhor, nunca pensei em (ri-se)... nunca pensei em voltar a
entrar, mas talvez um dia escreva um livro sobre a minha experiência
no Exército.
Elvis, sente-se feliz por voltar ao normal, ou acha que a sua vida
jamais poderá ser normal?
Senhor,
se a minha vida ficar normal, terei de voltar a conduzir um camião
(ri-se).
Elvis, acha que já está um bocadinho velho para os adolescentes de
agora?
Essa é a
primeira vez que me fazem essa pergunta (ri-se). Não sei. Não me
sinto muito velho. Ainda me consigo mexer bastante bem.
Sente-se apreensivo com o que pode ser considerado um regresso?
Sim,
sinto. Quer dizer, tenho as minhas dúvidas. Não vou comprometer-me
em dizer que quero fazer isto ou aquilo porque na realidade não sei.
A única coisa que posso dizer é que vou tentar. Irei à luta.
Uma
mulher disse numa entrevista que você é o homem mais sexy que ela já
viu na vida. O que tem a dizer disto?
(Assobia). Estamos a ser filmados?
O que
nos pode dizer sobre aquelas duas raparigas, uma em cada braço?
São
ambas do sexo feminino, senhor. É só o que tenho para lhe dizer.
Enquanto esteve fora conheceu algumas raparigas da Rússia?
Não,
senhor. Não, desculpe, acho que conheci uma, sim.
Que
aspecto tinha ela?
Bastante
bem feita (ri-se). Mas nada de revistas de cinema.
Você
parece um pouco magro. Qual é o peso que tem agora?
Baixei
para 77 kg e quero mais ou menos manter este peso. Pesava 83 kg
quando entrei na tropa. Acho que foi a vida no Exército e não é uma
vida má de todo.
Do
que é que sentiu mais saudades, longe de Memphis?
De tudo!
E estou a ser muito sincero. De tudo.
Qual
é a primeira coisa que quer fazer?
Quero ir
para casa e talvez ficar por lá uns dois dias. Depois quero sair e
encontrar-me com alguns amigos do velho grupo. Já passaram quase
dois anos desde que os vi a última vez. É muito tempo.
Está
ansioso por sair da farda do Exército?
Não.
Agora não era obrigado a estar a usá-la. Mas até gosto desta farda
(olhando para o seu relógio de pulso). Já saí do Exército há 42
horas. Sim, 42 horas.
(Falando
sobre um alfaiate alemão que por erro acrescentou quatro divisas –
indicando um primeiro sargento – quando três divisas teriam sido
mais indicadas para Presley, sargento na altura da desmobilização).
Provavelmente vou parar à cadeia por causa disto. Foi um erro do
alfaiate lá na Alemanha. Foi um trabalho de última hora, feito à
pressa. Telefonei-lhe e disse-lhe para coser as divisas de sargento
e ele acrescentou uma quarta divisa.
Tem
planos para tirar a quarta divisa a mais?
Não
pensei muito nisso. Acho que não me vão mandar para a prisão por
causa disso.
Uma
vez que nunca fez nenhuma apresentação pessoa enquanto esteve na
tropa, continuou a exercitar a sua voz?
Claro
que sim. Tive muito tempo para isso quando estava de folga. Passava
discos e cantava. Acho que cantei muito mais do que teria cantado se
estivesse a trabalhar nisso.
Que
planos tem para os filmes?
Bem, a
minha ambição é desenvolver-me como actor. De certa forma estou
desejoso pelo programa com Frank Sinatra. Será a minha primeira
apresentação na televisão em mais de dois anos. Claro que vou estar
nervoso quando tiver de ser. Já passou muito tempo… muito tempo.
Tem-se dito que você afirmou que quer estilizar a sua carreira
cinematográfica como Frank Sinatra. É verdade?
Tenho um
grande respeito pelo Sr. Sinatra como actor. No entanto, nunca fiz
essa afirmação, que quero estilizar a minha carreira como a dele.
Quero fazê-lo à minha maneira, mas isso levará tempo e experiência.
Está
a fazer planos para abanar as ancas quando voltar a cantar?
Vou
cantar e vou deixar que os abanões surjam naturalmente. Se tivesse
de ficar parado quando canto, sentir-me-ia perdido. Assim não
consigo captar nenhum sentimento.
Tem
alguns planos para a sua vida romântica quando chegar a casa?
Não sei
com quem irei sair em Memphis. Estive fora muito tempo. Acho que vou
deixar a natureza seguir o seu caminho. Dezoito meses fora de um
país é muito tempo. Sob muitas formas foi uma boa experiência.
Aprendi bastante. Mas estou contente por estar de volta. Não sei
realmente o que me espera. Não estou propriamente preocupado, mas
também não me sinto super seguro de mim mesmo.

Fonte
– Elvis Army Interviews (CD) e From Introduction to Demob
(vídeo) |