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ENTREVISTA COM STEVE BINDER - 09 DE JULHO DE 2004

    
Legendas: Steve Binder com Elvis, nos bastidores da NBC, 1968; Steve hoje.

Com a ajuda dos leitores do site Elvisnews, que recolheram a maior parte das perguntas, esta entrevista com Steve Binder foi feita por Jay Williams, que fez um artigo a partir da sua publicação.

 

O homem que reabilitou a carreira de Elvis Presley com o seu lendário concerto de regresso, vestido de cabedal negro em 1968, quebrou um silêncio de 36 anos para revelar segredos espantosos por trás da actuação histórica. Milhões viram Presley dar nova vida à sua carreira em queda com o espantoso espectáculo televisivo, que apresentou a lenda do rock num fato de cabedal negro, a cantar números de rock puros no que parece ter sido o formato original Unplugged, décadas antes da MTV ter “pedido emprestada” essa ideia.

 

O aspecto sexy tornou-se num das imagens mais famosas do rock and roll e tem sido copiado por toda a gente, desde Suzi Quattro a Robbie Williams, que usou uma cópia do fato para o seu dueto com Tom Jones na entrega dos Prémios Britânicos, em 1998.


Mas mesmo na véspera do lançamento do espectáculo em DVD (3 discos), incluindo filmagens nunca antes vistas de sessões informais, o homem responsável por rejuvenescer a carreira de Elvis finalmente revelou alguns dos segredos por trás do espectáculo.

 

O produtor televisivo americano, Steve Binder, contou como:

 

·          Observou, espantado, enquanto Elvis ensaiava numa “posição fetal”, deitado no chão, num estúdio completamente às escuras;

 

·          Segundos antes do número de abertura do espectáculo, Elvis se escondeu no parque de estacionamento do estúdio – “a tremer de medo” – só de pensar em actuar ao vivo pela primeira vez em sete anos;

 

·          Elvis lhe suplicou que “mandasse a orquestra para casa” quando apareceu no seu primeiro ensaio porque nunca tinha cantado com “tantos trombones e coisas assim”;

 

·          Como quebrou a “regra de ouro” no seu primeiro encontro com Presley, dizendo-lhe como achava que os seus filmes e a sua música, naquele tempo, “não estavam a ir a lado nenhum”;

 

·          Como ele e um colega de trabalho tiveram a ideia para fazer uma série de programas Unplugged para a MTV há uns anos atrás e contactaram os responsáveis para isso, que recusaram a sua ideia – apenas para ver a MTV a lançar o seu próprio formato Unplugged muito bem sucedido pouco tempo depois;

 

·          Como o notório empresário de Presley, o auto-feito Coronel Tom Parker, arranjou uma forma típica de enganar Binder durante as negociações contratuais.

 

 

Binder tinha apenas 23 anos e tinha acabado de provocar uma controvérsia por todos os Estados Unidos com o seu especial televisivo de Petula Clark, que apresentava um beijo “de mistura de raças” entre Clark e Harry Belafonte, quando ele e o seu colega de negócios, Bones Howe, foram contactados para produzirem o espectáculo de Presley. Em 1968, a carreira de Presley estava em queda livre. Os Beatles, os Rolling Stones e números de rock mais selvagens, como de Jimi Hendrix e dos Doors, dominavam tudo. A sexualidade e energia puras de Elvis, nas suas actuações de rock and roll iniciais, há muito que haviam sido esquecidas. Há anos que não tinha um êxito e estava farto de fazer filmes de segunda categoria.


Binder disse,
“No início eu não estava nada interessado. O Coronel queria que Elvis cantasse 24 canções de Natal e isso não era nada que me inspirasse de todo. Elvis também não parecia estar interessado nisso e a editora discográfica não estava a ir a lado nenhum com Elvis. Bones e eu tivemos uma reunião com Elvis e ele perguntou-nos o que achávamos da sua carreira.

 

“Houve uma pausa e depois eu disse, ‘Eu não acho que TENHAS uma carreira.’ Ele limitou-se a abanar a cabeça e disse, ‘Eu sei.’ Podia ver que ele não estava habituado que falassem com ele nestes termos. Mas a partir daquele momento, estabelecemos um relacionamento aberto e totalmente sincero. Ele estava tão habituado a estar rodeado de pessoas que lhe diziam que sim a toda a hora, a pessoas que estavam sempre a concordar com o que ele dizia, que acho que ele achou que éramos uma mudança refrescante.”


E foi então que Binder e Elvis engendraram um plano para a estrela voltar às suas raízes, a tocar as canções que o tinham feito famoso – mas num formato simples e unplugged.

 

Steve disse, “As filmagens demoraram semanas e Elvis costumava dormir no seu camarim. Todas as noites depois dos ensaios ou das filmagens, ele juntava-se com os seus amigos e cantavam as canções antigas. Achei que seria uma forma excelente das pessoas verem Elvis – a criar a música de uma forma informal, mas, como sempre, o Coronel Parker opôs-se à ideia. Não me deixou filmar as sessões informais que tiveram lugar no camarim, mas acabou por concordar que as filmássemos sobre o palco.”

 

 

E foi nesse momento que Binder inventou inadvertidamente o formato Unplugged, que mais tarde seria “emprestado” pela MTV.


É Binder que conta,
“Basicamente Elvis viveu no seu camarim durante aquele período e tocou aquela música com os seus amigos para se descontrair todas as noites depois das filmagens. Basicamente o que fizemos foi transferir as sessões informais que ocorriam no camarim para o palco, e isso funcionou. Anos mais tarde fui ter à HBO (estação televisiva americana) e à MTV e dei a ideia para fazer uma série de espectáculos Unplugged. Mas ambas recusaram a nossa sugestão e depois prosseguiram em fazer as suas próprias séries nesse género sem a nossa colaboração.

 

“Há uns anos estive presente numa mesa de discussão no Museu da Televisão, em Nova Iorque. O Presidente da MTV estava também presente como eu, sendo um dos convidados, e quando fez os seus comentários iniciais, ele incluiu um agradecimento para mim por eu ter deixado que a MTV ‘roubasse’ a minha ideia para a sua série de improvisações. O show business tem umas éticas muito estranhas!”

 

Binder sentiu-se chocado ao ver como Elvis estava nervoso durante os ensaios.

 

Ele disse, “Elvis estava aterrorizado para fazer o espectáculo – estava cheio de medo da televisão. Naquela primeira reunião que tivemos, ele disse-me que achava que não percebia nada de televisão. Acho que estava preocupado em falhar. Eu disse-lhe que a televisão era um meio extremamente poderoso e que saberíamos um dia depois da difusão do espectáculo se tinha sido um êxito ou não.

 

“Disse-lhe, ‘Elvis, tu preocupa-te com a música, e deixa-me a mim preocupar-me com a televisão.’ E a partir daquele momento, ele concentrou-se na sua actuação.”


Mas Elvis ainda se sentia paranóico com o concerto e entrou em pânico num dos ensaios com toda a orquestra.

 

Steve disse, “Subi ao palco para o seu primeiro ensaio com toda a orquestra e ele foi direitinho para o Sunset Boulevard. Chamou por mim e disse, ‘Tenho de te avisar, Steve, que nunca cantei com uma orquestra atrás de mim e se eu não gostar do som daqueles trompetes e de tudo o resto, então terás de os mandar a todos para casa.’

 

“Eu não parava de dizer, ‘Bem, vamos tentar para ver o que acontece.’ Felizmente ele adorou o som e os arranjos da orquestra, por isso essa foi mais uma crise potencial que se evitou.”

 

Conforme a data das filmagens se aproximava mais, a ansiedade de Elvis aumentava. Binder diz, “Se observarem com atenção, durante os primeiros segundos do espectáculo, há um grande plano de Elvis a cantar. Podemos ver a sua mão sobre o microfone – e está visivelmente a tremer. Dois minutos antes de subir ao palco, ele estava no parque de estacionamento lá fora, a tremer de medo com a perspectiva de actuar ao vivo outra vez. Dizia, ‘Não sou capaz de fazer isto, não sou capaz.’ Lá consegui, com muita calma, convencê-lo – eu sabia que mal ele voltasse, ia ficar bem – e ele lá acabou por ceder. E então vemos as mãos a tremer no início do espectáculo, mas conforme o tempo vai passando, vemos com facilidade a sua confiança a crescer quando se apercebe que está onde sempre pertenceu – à frente de um público ao vivo.”


Binder ri-se quando se lembra da afirmação que o Coronel fez que,
“Toda a gente que trabalhe com Elvis ganhará um milhão de dólares só por ter estado ligado a ele.” Ele diz, “Bones e eu recebemos um total de 15.000 dólares pela produção do espectáculo, mas tornámos bem claro desde o início que uma das condições seria a produção de um disco. Bones e eu produzimos toda a música do espectáculo, que resultou em dois singles que chegaram a primeiro lugar e a um álbum que foi um êxito internacional. O Coronel disse-nos que não ia haver nenhum lançamento de disco pela altura em que já estávamos envolvidos na produção do espectáculo.

 

“Mas duas semanas depois do espectáculo ter sido difundido, ambos recebemos um cheque de 1.500 dólares, proveniente do Coronel, e uma carta a pedir-nos para lhe passarmos os nossos direitos de produção. Mandámos o dinheiro de volta, bem como os formulários por assinar e foi aí que fomos completamente riscados da ‘indústria’ Elvis.”

 

“Mas não guardo qualquer amargura sobre tudo isto. Adorei trabalhar com Elvis e sei que ele nada tinha a ver com a parte negocial das coisas. Quando acabámos o especial, Elvis deu-me o seu número de telefone pessoal e pediu-me para nos mantermos em contacto. Acho que ele gostava do facto de Bones e eu não estarmos com a ideia fixa de ganhar dinheiro às suas custas, e que só estivéssemos interessados na música. Mas depois daquela contenda com o Coronel Parker sobre o dinheiro, nunca mais tive notícias de Elvis.”


Steve foi ver Elvis a fazer o seu regresso aos palcos em Las Vegas no ano seguinte, e achou que a estrela estava mais brilhante do que nunca. Mas no espaço de poucos anos, Elvis voltou a decair – a cantar o que quer que lhe punham à frente, com imenso excesso de peso, passado com drogas medicamentadas e rodeado por engraxadores oportunistas.

 

Binder e Howe abanam as cabeças com tristeza quando pensam no que poderia ter sido e não foi.

 

“Não foram as drogas que mataram Elvis,” diz o ex-associado de Binder, Bones Howe, agora com 71 anos, “Disseram-lhe que sim a tudo até ele morrer.”

 

Legenda: Bilhete de Elvis para Steve, a dizer, "Steve, You're too much Son, my boy, my boy. Elvis Presley" (Steve, és demais, pá, meu rapaz, meu rapaz. Elvis Presley).

 

Fonte: site Elvisnews.

 

Para ver mais fotos de NBC TV Special, consultar a Galeria.

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