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Legendas: Steve Binder com
Elvis, nos bastidores da NBC, 1968; Steve hoje.
Com a ajuda dos leitores do site Elvisnews, que
recolheram a maior parte das perguntas, esta entrevista com Steve
Binder foi feita por Jay Williams, que fez um artigo a partir da sua
publicação.
O homem que reabilitou a carreira de Elvis Presley
com o seu lendário concerto de regresso, vestido de cabedal negro em
1968, quebrou um silêncio de 36 anos para revelar segredos
espantosos por trás da actuação histórica. Milhões viram Presley dar
nova vida à sua carreira em queda com o espantoso espectáculo
televisivo, que apresentou a lenda do rock num fato de cabedal
negro, a cantar números de rock puros no que parece ter sido o
formato original Unplugged, décadas antes da MTV ter “pedido
emprestada” essa ideia.
O aspecto sexy tornou-se num das imagens mais famosas
do rock and roll e tem sido copiado por toda a gente, desde Suzi
Quattro a Robbie Williams, que usou uma cópia do fato para o seu
dueto com Tom Jones na entrega dos Prémios Britânicos, em 1998.
Mas mesmo na véspera do lançamento do espectáculo em DVD (3 discos),
incluindo filmagens nunca antes vistas de sessões informais, o homem
responsável por rejuvenescer a carreira de Elvis finalmente revelou
alguns dos segredos por trás do espectáculo.
O produtor televisivo americano, Steve Binder, contou
como:
·
Observou, espantado, enquanto Elvis ensaiava numa
“posição fetal”, deitado no chão, num estúdio completamente às
escuras;
·
Segundos antes do número de abertura do espectáculo,
Elvis se escondeu no parque de estacionamento do estúdio – “a tremer
de medo” – só de pensar em actuar ao vivo pela primeira vez em sete
anos;
·
Elvis lhe suplicou que “mandasse a orquestra para
casa” quando apareceu no seu primeiro ensaio porque nunca tinha
cantado com “tantos trombones e coisas assim”;
·
Como quebrou a “regra de ouro” no seu primeiro
encontro com Presley, dizendo-lhe como achava que os seus filmes e a
sua música, naquele tempo, “não estavam a ir a lado nenhum”;
·
Como ele e um colega de trabalho tiveram a ideia para
fazer uma série de programas Unplugged para a MTV há uns anos
atrás e contactaram os responsáveis para isso, que recusaram a sua
ideia – apenas para ver a MTV a lançar o seu próprio formato
Unplugged muito bem sucedido pouco tempo depois;
·
Como o notório empresário de Presley, o auto-feito
Coronel Tom Parker, arranjou uma forma típica de enganar Binder
durante as negociações contratuais.
Binder tinha apenas 23 anos e tinha acabado de
provocar uma controvérsia por todos os Estados Unidos com o seu
especial televisivo de Petula Clark, que apresentava um beijo “de
mistura de raças” entre Clark e Harry Belafonte, quando ele e o seu
colega de negócios, Bones Howe, foram contactados para produzirem o
espectáculo de Presley. Em 1968, a carreira de Presley estava em
queda livre. Os Beatles, os Rolling Stones e números de rock mais
selvagens, como de Jimi Hendrix e dos Doors, dominavam tudo. A
sexualidade e energia puras de Elvis, nas suas actuações de rock and
roll iniciais, há muito que haviam sido esquecidas. Há anos que não
tinha um êxito e estava farto de fazer filmes de segunda categoria.
Binder disse, “No início eu não
estava nada interessado. O Coronel queria que Elvis cantasse 24
canções de Natal e isso não era nada que me inspirasse de todo.
Elvis também não parecia estar interessado nisso e a editora
discográfica não estava a ir a lado nenhum com Elvis. Bones e eu
tivemos uma reunião com Elvis e ele perguntou-nos o que achávamos da
sua carreira.
“Houve uma pausa e depois eu disse, ‘Eu não acho que
TENHAS uma carreira.’ Ele limitou-se a abanar a cabeça e disse, ‘Eu
sei.’ Podia ver que ele não estava habituado que falassem com ele
nestes termos. Mas a partir daquele momento, estabelecemos um
relacionamento aberto e totalmente sincero. Ele estava tão habituado
a estar rodeado de pessoas que lhe diziam que sim a toda a hora, a
pessoas que estavam sempre a concordar com o que ele dizia, que acho
que ele achou que éramos uma mudança refrescante.”
E foi então que Binder e Elvis engendraram
um plano para a estrela voltar às suas raízes, a tocar as canções
que o tinham feito famoso – mas num formato simples e unplugged.
Steve disse,
“As filmagens demoraram semanas e Elvis
costumava dormir no seu camarim. Todas as noites depois dos ensaios
ou das filmagens, ele juntava-se com os seus amigos e cantavam as
canções antigas. Achei que seria uma forma excelente das pessoas
verem Elvis – a criar a música de uma forma informal, mas, como
sempre, o Coronel Parker opôs-se à ideia. Não me deixou filmar as
sessões informais que tiveram lugar no camarim, mas acabou por
concordar que as filmássemos sobre o palco.”

E foi nesse momento que Binder inventou
inadvertidamente o formato Unplugged, que mais tarde seria
“emprestado” pela MTV.
É Binder que conta,
“Basicamente Elvis viveu no seu camarim
durante aquele período e tocou aquela música com os seus amigos para
se descontrair todas as noites depois das filmagens. Basicamente o
que fizemos foi transferir as sessões informais que ocorriam no
camarim para o palco, e isso funcionou. Anos mais tarde fui ter à
HBO (estação televisiva americana) e à MTV e dei a ideia para fazer
uma série de espectáculos Unplugged. Mas ambas recusaram a nossa
sugestão e depois prosseguiram em fazer as suas próprias séries
nesse género sem a nossa colaboração.
“Há uns anos estive presente numa mesa de discussão
no Museu da Televisão, em Nova Iorque. O Presidente da MTV estava
também presente como eu, sendo um dos convidados, e quando fez os
seus comentários iniciais, ele incluiu um agradecimento para mim por
eu ter deixado que a MTV ‘roubasse’ a minha ideia para a sua série
de improvisações. O show business tem umas éticas muito estranhas!”
Binder sentiu-se chocado ao ver como Elvis estava
nervoso durante os ensaios.
Ele disse,
“Elvis estava aterrorizado para fazer o
espectáculo – estava cheio de medo da televisão. Naquela primeira
reunião que tivemos, ele disse-me que achava que não percebia nada
de televisão. Acho que estava preocupado em falhar. Eu disse-lhe que
a televisão era um meio extremamente poderoso e que saberíamos um
dia depois da difusão do espectáculo se tinha sido um êxito ou não.
“Disse-lhe, ‘Elvis, tu preocupa-te com a música, e
deixa-me a mim preocupar-me com a televisão.’ E a partir daquele
momento, ele concentrou-se na sua actuação.”
Mas Elvis ainda se sentia paranóico com o
concerto e entrou em pânico num dos ensaios com toda a orquestra.
Steve disse,
“Subi ao palco para o seu primeiro ensaio
com toda a orquestra e ele foi direitinho para o Sunset Boulevard.
Chamou por mim e disse, ‘Tenho de te avisar, Steve, que nunca cantei
com uma orquestra atrás de mim e se eu não gostar do som daqueles
trompetes e de tudo o resto, então terás de os mandar a todos para
casa.’
“Eu não parava de dizer, ‘Bem, vamos tentar para ver
o que acontece.’ Felizmente ele adorou o som e os arranjos da
orquestra, por isso essa foi mais uma crise potencial que se
evitou.”
Conforme a data das filmagens se aproximava mais, a
ansiedade de Elvis aumentava. Binder diz,
“Se observarem com atenção, durante os primeiros segundos do
espectáculo, há um grande plano de Elvis a cantar. Podemos ver a sua
mão sobre o microfone – e está visivelmente a tremer. Dois minutos
antes de subir ao palco, ele estava no parque de estacionamento lá
fora, a tremer de medo com a perspectiva de actuar ao vivo outra
vez. Dizia, ‘Não sou capaz de fazer isto, não sou capaz.’ Lá
consegui, com muita calma, convencê-lo – eu sabia que mal ele
voltasse, ia ficar bem – e ele lá acabou por ceder. E então vemos as
mãos a tremer no início do espectáculo, mas conforme o tempo vai
passando, vemos com facilidade a sua confiança a crescer quando se
apercebe que está onde sempre pertenceu – à frente de um público ao
vivo.”
Binder ri-se quando se lembra da afirmação que o Coronel fez que,
“Toda a gente que trabalhe com Elvis ganhará um milhão de dólares
só por ter estado ligado a ele.” Ele diz,
“Bones e eu recebemos um total de 15.000 dólares pela
produção do espectáculo, mas tornámos bem claro desde o início que
uma das condições seria a produção de um disco. Bones e eu
produzimos toda a música do espectáculo, que resultou em dois
singles que chegaram a primeiro lugar e a um álbum que foi um êxito
internacional. O Coronel disse-nos que não ia haver nenhum
lançamento de disco pela altura em que já estávamos envolvidos na
produção do espectáculo.
“Mas duas semanas depois do espectáculo ter sido
difundido, ambos recebemos um cheque de 1.500 dólares, proveniente
do Coronel, e uma carta a pedir-nos para lhe passarmos os nossos
direitos de produção. Mandámos o dinheiro de volta, bem como os
formulários por assinar e foi aí que fomos completamente riscados da
‘indústria’ Elvis.”
“Mas não guardo qualquer amargura sobre tudo isto.
Adorei trabalhar com Elvis e sei que ele nada tinha a ver com a
parte negocial das coisas. Quando acabámos o especial, Elvis deu-me
o seu número de telefone pessoal e pediu-me para nos mantermos em
contacto. Acho que ele gostava do facto de Bones e eu não estarmos
com a ideia fixa de ganhar dinheiro às suas custas, e que só
estivéssemos interessados na música. Mas depois daquela contenda com
o Coronel Parker sobre o dinheiro, nunca mais tive notícias de
Elvis.”
Steve foi ver Elvis a fazer o seu regresso
aos palcos em Las Vegas no ano seguinte, e achou que a estrela
estava mais brilhante do que nunca. Mas no espaço de poucos anos,
Elvis voltou a decair – a cantar o que quer que lhe punham à frente,
com imenso excesso de peso, passado com drogas medicamentadas e
rodeado por engraxadores oportunistas.
Binder e Howe abanam as cabeças com tristeza quando
pensam no que poderia ter sido e não foi.
“Não foram as drogas que mataram Elvis,”
diz o ex-associado de Binder, Bones Howe, agora com 71 anos,
“Disseram-lhe que sim a tudo até ele
morrer.”

Legenda: Bilhete de Elvis para
Steve, a dizer, "Steve, You're too much Son, my boy, my boy. Elvis
Presley" (Steve, és demais, pá, meu rapaz, meu rapaz. Elvis
Presley).
Fonte:
site Elvisnews.
Para ver mais
fotos de NBC TV Special, consultar a
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