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Legendas: Hal Kanter, hoje.
Entrevista com Hal Kanter, argumentista e realizador para o filme de
Elvis Presley, Loving You. Antes disso Hal tinha feito
argumentos para espectáculos de variedade, evoluindo para peças de
teatro e especializando-se em comédias. Fez argumentos para Bob
Hope, bem como para a equipa cómica de Dean Martin e Jerry Lewis. Ao
longo dos anos Hal Kanter recebeu seis nomeações para o prémio Emmy,
ganhando os últimos dois pela sua forma de escrever na cerimónia da
entrega dos prémios da Academia. Também escreveu o argumento para o
filme bem sucedido de Elvis Presley de 1961, Blue Hawaii, que
lhe granjeou uma nomeação como “Melhor Argumento de Musical
Americano” por parte da Writers Guild of America.
Conte-nos como conheceu Elvis.
Um
produtor chamado Hal Wallis pediu-me para vir ver um teste
cinematográfico que tinha feito a um jovem chamado Elvis Presley. Já
tinha ouvido falar dele, mas nunca o tinha visto trabalhar. Era um
grande favorito por entre as crianças e os jovens. Na altura eu não
era uma criança muito jovem, mas tinha três filhas. E elas andavam
muito entusiasmadas com o facto de eu ir ver um teste
cinematográfico, pois nem elas mesmas tinham alguma vez visto algo
do género. Seja como for, fui à Paramount e vi um teste de um jovem.
E estava com certas reservas em o ver porque não achava que a partir
daquilo que eu sabia de Elvis ele fosse ter o que era necessário
para o grande ecrã. Achava que ele era uma moda passageira para os
jovens, especialmente para as raparigas. Mas fiquei agradavelmente
surpreendido com o que vi no ecrã. De facto, agradavelmente
surpreendido é como que… isso poderia ser um eufemismo. Na
realidade, fiquei espantadíssimo. Nem queria acreditar no que vi no
ecrã.
Então
fui ter com Wallis depois de ter visto o teste e disse, “Acho que
é fabuloso. Adoraria fazer um filme com ele.” E depois ele
entregou-me um argumento que tinha sido adaptado a partir de uma
história curta. E o argumento não era muito bom. E disse, “A tua
primeira tarefa é transformar isto num argumento melhor, algo que
possamos filmar. Não quererias filmar isto que me deram.” Depois
disso fiz um rascunho do argumento que tanto ele como eu aprovámos e
de seguida ele mandou-me para Memphis, no Tennessee para conhecer
Elvis em pessoa e falar sobre o que íamos fazer juntos. Acho que era
o segundo filme de Elvis. Só tinha feito um filme antes. E era um
pequeno western para a 20th Century Fox. Elvis veio ter comigo ao
aeroporto e levou-me a passear por Memphis, o que levou cerca de 15
minutos. Depois demos entrada num hotel. E veio ter comigo mais
tarde para me levar até à sua casa para conhecer a sua família e lá
jantar. Aquele era o meu primeiro contacto com Elvis e provavelmente
foi uma das tardes mais refrescantes que passei em Memphis, no
Tenneessee.
Quanto tempo esteve em Memphis, de visita a
Elvis?
Cerca de
um dia e meio. Por isso é que foi tão agradável.
Fale-nos sobre como foi trabalhar com Elvis mal ele veio para
Hollywood.
Antes de
mais, enquanto estávamos a jantar na casa de Elvis, eis que um
cavalheiro bastante espalhafatoso entra de rompante na
sala-de-estar. Era o Coronel Tom Parker. Foi quando o vi pela
primeira vez. Ia a caminho de Shreveport, até onde eu iria
acompanhar Elvis para o seu concerto de despedida no Louisiana
Hayride. Era suposto ser o seu concerto de despedida no
Louisiana Hayride. E esse foi um dos motivos principais que me
levou até Memphis, não só conhecer Elvis, como também vê-lo em acção
e aprender o mais que pudesse sobre o seu método operacional para
eventualmente incorporar o que tivesse aprendido no filme. Visto que
não só eu tinha escrito o argumento para o filme, agora também ia
ser o realizador. Ele não parava de me apresentar às pessoas como o
meu realizador de Hollywood, esquecendo por completo que eu me
orgulhava mais por ser argumentista do que realizador e, de facto,
ainda penso assim. Mas lá consegui conhecer o Coronel e alguns dos
seus associados. Depois conheci o grupo de pessoas que iam para
Shreveport connosco no carro, em dois carros, para ser preciso.
Elvis ia a conduzir um deles. E Bill Black ia a conduzir o outro com
Scotty Moore e D.J. Fontana. Fomos de noite pelo Tennessee,
atravessámos a Louisiana e chegámos muito, muito cedo de madrugada
ao Shreveport Hotel, onde tentámos dormir um pouco.
Fui acordado por volta das 07h30 por montes de miúdos a gritar o
nome de Elvis, tentando acordá-lo. Ele acabou por abrir a janela do
seu quarto de hotel, inclinou-se para fora e disse, “Por
favor, deixem-me dormir um pouco, pessoal.
Depois vejo-vos a todos mais tarde.”
E eles calaram-se.
Fiquei
espantado com isso. Nunca vi ninguém controlar uma multidão com tão
pouco esforço como ele fazia. De manhã fui até à feira de diversões
de Shreveport, onde ele ia actuar nessa noite. Foi o Bill Black que
me levou até lá. Apontei algumas coisas que decidi incorporar depois
no filme. Uma das coisas que realmente me impressionou foi o facto
de termos chegado num Cadillac.
Bill
ia a conduzir. E milhares de miúdos acabaram por reconhecer o carro
de Elvis. Amontoaram-se à nossa volta. Eu ia sentado no banco
traseiro.
Estavam
todos a tentar ver quem eu era.
E
claro que não faziam ideia nenhuma. Todos reconheceram o Bill.
Mas não me conheciam a mim. E sacudiam o carro de uma
ponta à outra. Foi uma experiência assustadora. Finalmente ele lá
acabou por conseguir sair e disse, “Calma,
miúdos.
É o
realizador de Elvis, de Hollywood. Vamos fazer um filme.”
Todos sabíamos que íamos fazer um filme. Mas eles
ficaram para ali parados a olhar para mim e não pude fazer nada.
Porque eu nem sequer podia sair do carro se quisesse. Era uma
imensidão de gente. Finalmente Bill conseguiu livrar-se deles e uma
rapariguinha ficou para trás. Tirou um pedacinho de um lenço de
papel do seu corpete, abriu-o, amparou com a mão e limpou a poeira
do carro para cima do lenço, voltou a embrulhá-lo e a metê-lo no
corpete. E lá foi ela embora, a sorrir, feliz por ter conquistado um
troféu. Nem pude acreditar naquilo, no tipo de adoração do herói que
existia naquela multidão.
A noite do concerto foi outra experiência fascinante para mim. Nunca
tinha visto tantos flashes de bulbo na minha vida. O local estava
apinhado de gente. E o próprio público fazia tanto barulho que nem
sequer podiam ouvir o que o homem estava a cantar, pensei eu. Foi
absolutamente espectacular para mim. E, de facto, acho que
incorporei bastante disso em
Loving You. Mas há muitas
pequenas coisas que têm a ver com essa viagem que fizemos que
incorporei no filme, sobre as quais não vou falar agora. Mas se
quiserem mesmo saber mais sobre isso, podem ler o meu livro
intitulado So Far, So Funny. Há lá um capítulo sobre Elvis
que explica algumas das coisas que agora não estou para lhe
explicar.
Continuando. Eu estava a usar uma camisa de veludo preto que a minha
mulher me tinha dado antes de ir para Memphis.
E
Elvis admirou a camisa. Disse, “Onde é que comprou isso?” E
eu disse, “Gostas?” E ele respondeu, “Oh, gosto muito.”
Eu disse, “Vou dar-te esta.” E trocámos de camisas.
Tirei a camisa e dei-lha. Nem podia acreditar que lhe tinha dado
aquela camisa. Sentia tanto orgulho naquela camisa de veludo preto.
Fui vestir outra camisa e lá continuámos a trabalhar. Quando ele
apareceu em Hollywood várias semanas depois para começar a ensaiar
o espectáculo, trazia aquela camisa vestida. E disse-lhe,
“Que camisa tão bonita que trazes vestida, Elvis.
Onde
é que a arranjaste?”
Ele respondeu, “Bem, foi um fã que ma deu.”
E eu
disse, “Okay.” Mas da última vez que vi aquela camisa, era o
seu primo Gene Smith que a levava vestida.
Você
conheceu os pais de Elvis.
Sim. O
pai e a mãe de Elvis, Vernon e Gladys.
E a
mãe dele disse-lhe alguma coisa sobre o que sentia em você ser o
realizador de um filme dele?
Ela não
me disse nada excepto que se sentia obviamente muito satisfeita e
muito orgulhosa. E ela e Vernon vieram até Hollywood para passar
algum tempo com Elvis. E ele perguntou se eles podiam vir até ao
estúdio. Eu disse, “Claro que podem.” E apareceram com outro
casal, amigos deles de Memphis, que Vernon apresentou como sendo o
seu decorador. Mas acabei por descobrir que este homem era pintor de
casas. E lembro-me dele porque trazia um chapéu novinho em folha.
Não tinha vinco nenhum, um chapéu acabado de tirar da caixa. E
andava sempre com ele. E tinha uma camisa branca abotoada até ao
colarinho, mas sem gravata.
E vi
muito poucas pessoas vestidas assim. E fascinava-me.
Nunca
ouvi o homem dizer uma única palavra. Mas Gladys e Vernon eram
também pessoas bastante caladas.
E depois
de um take… no estúdio, uma noite, estávamos a trabalhar. Tínhamos
acabado a cena e estávamos a filmar de noite. E eu disse,
“Gladys, enquanto aqui está, porque é que não se põe à frente da
câmara e filmamos um bocadinho de si, de si com o seu filho e o seu
marido. E amanhã vê as filmagens.” E ela disse, “Oh, não… não
sei…” E Elvis disse, “Vá lá, mãe.
Vá lá.
Vá lá.”
Lá acabaram por ir para a frente da câmara. E fizeram
qualquer coisa entre eles. O que quer que foi, escapou-me. E quando
eu disse, “Corta,” ela disse, “Oh.” Ela ficou tão
grata. Sentiu-se muito envergonhada por estar à frente da câmara.
Também queria que os seus amigos fossem filmados. Mas eu disse,
“Já chega, mais, não.” No dia seguinte viram as filmagens e ela
sentiu vergonha de se ver a si mesma. Achava que estava muito gorda
e, de facto, estava. Mas Vernon pareceu sentir-se muito bem com as
filmagens. Vernon ficou com a sensação que talvez ele também pudesse
ser actor, sabe. Mas aquele bocadinho de filmagens é um filme muito
valioso, sabe, para os aficionados e doidos por Elvis. Mas nunca
ninguém conseguiu encontrá-lo. Acho que ele próprio conseguiu
apoderar-se do filme a dado momento e mandou-o destruir. Porque
nunca ninguém conseguiu encontrá-lo em lado nenhum.

Legendas: Elvis, com os pais, durante intervalos das filmagens
de Loving You, e com Dolores Hart, sua partnaire.
Lembro-me da cena em que ela está a
aplaudi-lo.
Sim.
Sim, acabei por usá-los no próprio filme. E se estiverem atentos,
podem ver que Gladys e Vernon têm duas pessoas sentadas ao seu lado.
E esse é o pintor das casas e a sua esposa. Iam juntos para todo o
lado. Pareciam ser uma espécie de apoio moral ou guarda-costas ou…
não sei. Nunca vi os Presleys sem estarem na companhia daquelas
pessoas.
O que é que achou do Coronel Parker?
A
impressão com que fiquei do Coronel Parker foi que era um homem
muito mais interessante que o próprio Elvis. Achei-o absolutamente
fascinante. Era um dos homens mais vivaços para enganar os outros
que já conheci na vida. E era notável. Acho que sou capaz de falar
acerca dele durante duas ou três horas e você ia gostar de me ouvir.
Mas não vou fazê-lo. Porque na realidade acho que ele foi o
principal contribuidor para a queda de Elvis, no meu ponto de vista.
Seja como for, não deveríamos fazer isso. Destruir tudo isso.
Não.
Não… o
Coronel Parker foi um homem que tinha os melhores interesses de
Elvis sempre em mente. Mas ele tinha os melhores interesses de Tom
Parker mais em mente do que os de Elvis, é a minha opinião.
No
último dia das filmagens, decide dar uma festa ao elenco. E tratei
de tudo para ter um dos cenários de um filme que Cornell Wilde
estava a fazer na altura. Ele tinha acabado de filmar naquele
cenário, um cenário de clube nocturno. E perguntei-lhes, “Por
favor, deixem esse cenário ficar como está, para que possamos aí dar
a nossa festa.”
E
paguei por tudo. A última cena a filmar foi com Elvis e Liz Scott.
E aos poucos, conforme o trabalho ia terminando, o
pessoal do elenco começou a ir para a festa. Quando o trabalho
acabou de vez, Elvis, Liz e eu atravessámos o palco. E a festa
estava animada. E estava lá um fulano com um cartaz enorme que
dizia, “Elvis e o Coronel, obrigado a todos.” E lá estava ele, a dar
fotografias autografadas de Elvis, sabe. Também estava a dar
bilhetes de lotaria, porque ia fazer um sorteio de um álbum de Elvis
e de um fonógrafo que tinha sido oferecido pela RCA, pelo que sei. E
aquela festa de elenco que me custou vários milhares de dólares do
meu próprio bolso, transformou-se na festa de Elvis de despedida ao
elenco e equipa. Isso era típico do Coronel.
Cerca de
sete anos depois, a minha mulher e eu fomos até Palm Springs. E
tínhamos um encontro para ir jantar fora. E enquanto ela estava a
preparar-se, eu disse, “Encontro-te lá em baixo no bar. Quero
beber qualquer coisa antes de irmos ter com os nossos amigos.” E
enquanto estava lá sentado, vi um homem que julguei ser Tom Parker e
Tom Diskin, o seu consorte, não sei exactamente qual era a função
dele. Mas digamos que era seu assistente. Seja como for, era Diskin
e Tom e mais duas mulheres que não reconheci. Na altura Tom ia a
caminhar com uma bengala, com a qual nunca o tinha visto antes. E
tinha engordado bastante. Pararam perto do mestre das cerimónias e
entraram para jantar. Então, chamei o mestre das cerimónias até ao
bar e disse, “Aquele era Tom Parker?” Ele respondeu,
“Sim.” E eu disse, “Poderia mandar-lhe
uma garrafa de vinho, Lancer’s Rose, com os cumprimentos de Hal
Kanter?
Ponha
na minha conta.”
E dei-lhe o meu número de quarto. Ele disse, “Sim, senhor.” E
foi-se embora.
A minha
mulher desceu e disse, “Bem, podemos ir
embora.
Já
estamos atrasados.”
E eu disse, “É só um momento.”
E
contei-lhe o que tinha feito. Disse, “Quero
obter alguma reacção, ver o que o Coronel vai dizer.”
Finalmente o mestre das cerimónias ignorou-me por
completo. Fui ter com ele e disse, “Desculpe. Chegou a mandar
aquela garrafa de vinho ao Coronel?” Ele respondeu,
“Sim. Mas não mandei o Lancer’s Rose. Ele não bebe
esse vinho.
Bebe tal
e tal, já não me lembro do nome. Um vinho muito mais caro.”
E continuou por dizer, “Mandei pôr na sua conta, senhor.”
E eu disse, “Bem, e que disse ele? Não disse
nada?”
Ele
respondeu, “Sim, disse, ‘Este homem é obviamente um impostor.
Pois se fosse o verdadeiro Hal Kanter, mandar-me-ia uma caixa de
garrafas de vinho.’” Tom Parker era assim. E agora, quer ouvir
mais histórias sobre ele? Então teremos de falar noutra altura.
Tem algumas recordações de Blue Hawaii?
Tenho
muito, muito poucas recordações de Blue Hawaii, porque não
fui o realizador do filme. Apenas escrevi o argumento. E voltei a
re-escrever o argumento.
Nunca
ouvi Elvis falar sobre o filme. Acho que só o vi uma vez.
Fui até ao estúdio. Acho que era o Michael Curtiz que estava a
realizar o filme. Mike Curtiz ou Norman Taurog. Seja como for eu
estava no estúdio um dia.
E
dissemos, “Olá, com vai?” “Como vão as coisas?” “Bem.” “Como está
o Exército?” “Bem.” “Como foi?” “Foi bem.” “Foi bom voltar a vê-lo.”
“Igualmente.” “Cuide de si.” “Assim o farei” e “Adeus.”
Foi apenas isso. Naquela altura ele já era um rapaz diferente.
Não era o mesmo rapaz do campo divertido, feliz, doce
e jovem que eu tinha conhecido quando o vi pela primeira vez.
Acha que foi possivelmente porque tinha
perdido a sua mãe e tinha estado na tropa?
Possivelmente. Poderia ter sido.
Poderia,
sim. Mas realmente não voltei a prestar muita atenção ao que lhe
aconteceu, porque tinha outros interesses e, obviamente que ele
também.
Qual
foi a última vez em que viu Elvis?
Não
tenho a certeza. Não me lembro da última vez que o vi. Cheguei a ver
Tom Parker em várias ocasiões. E estava sempre a tentar convencer-me
a conseguir-lhe algo de graça. Queria que eu escrevesse a sua
autobiografia, ou a sua biografia. Eu disse, “Bem, se for eu a
escrevê-la, já não é uma autobiografia. Bem, poderia ser, se fosse
você a contar-me a história para a escrever.” E ele disse,
“Se escreveres a minha biografia, vais
ganhar muito dinheiro.
Será
um best-selller instantâneo.”
Ele disse que sabia que ia ser um best-seller. E eu disse, “Como
é que pode saber isso?” Ele respondeu, “Porque vou vender
publicidade do livro.”
Eu
disse, “O quê?” Ele disse, “Sim, o livro vai… Já vendi a
contra-capa à RCA.” E acrescentou, “E venderei a capa à
Paramount Pictures.” Continuou por dizer, “Por isso o livro
já está pago. Desta forma, cada cêntimo que vier é lucro puro.”
E acrescentou, “E também já tenho um título
para o livro.”
E eu
perguntei, “E qual é?”
Ele
respondeu, “O título é ‘Quanto Custa se For de Graça?’”
Eu disse, “É um bom título. Podíamos falar em
fazer um filme sobre a sua vida.” E ele disse, “Muito bem,
vamos fazer isso.” E eu disse, “Tenho o tipo ideal para
representar o seu papel.” E ele perguntou, “Quem é?” Eu
respondi, “W.C. Fields.”
Ele
disse, “Muito obrigado” e nunca mais me voltou a mencionar o
assunto.
Ele
não se esquecia de nada, pois não?
Pois
não. Pois não.
Mas era
um personagem e tanto. Acho que um dia alguém vai fazer um estudo
maravilhoso acerca dele e isso dará um excelente filme.
Há
mais alguma coisa de que se lembre que o Coronel quisesse que
fizesse?
Queria
que eu escrevesse algo para Elvis. E agora já não me lembro o que
era. Teve uma ideia de que Elvis poderia fazer algo espiritual. E eu
disse, “Veio ter com o homem errado.”
Disse,
“Não consigo escrever sobre coisas espirituais.” Queria umas
letras tipo espirituais. Disse, “Não escrevo letras. Quem faz
isso é outra pessoa.”
Ele
disse, “Bem, não quero que sejam letras de canções. Quero apenas
que seja lírico, mas não letras, algo que possamos dizer com
importância.”
E eu
disse, “Vou pensar nisso.” Mais uma vez, não me voltou a
falar no assunto.
Mas
também lhe disse logo no início, “Teremos de discutir números.”
E acrescentei, “Detesto falar em assuntos
de dinheiro, por isso terá de falar com o meu agente.
Que tal?”
Ele respondeu, “Preferia falar contigo.”
E eu
disse, “Eu sei que preferias, mas eu prefiro que fales com o meu
agente.” Nem sei se ele alguma vez o chegou a fazer. Acho que
ficou esquecido. Seja como for, era algo que nunca quis fazer desde
o início.
O que
é que acha que Elvis tem que faz com que os seus fãs continuem a
gostar dele?
Acho
que, antes de mais, era um talento único. Ao princípio tive uma
opinião muito má acerca dele. Acho que a maior parte das pessoas da
minha idade não o entenderam. Era um talento unicamente original
porque ele combinou o que havia de melhor na música negra com o que
havia de melhor na música country.
E o
resultado foi ser único. Era invulgar.
Não
somos capazes de nos esquecer dele. Mal sejamos expostos à sua
música, é muito difícil de esquecer o homem por detrás dela. Eu
achava a sua música única, única e original. Era um homem original,
muito embora muita da sua originalidade fosse eclética porque tirou
algo daqui e algo dali. Acho que ele não tinha consciência do facto
de ter tirado algo a outras pessoas. Era algo de inato, algo tão
genuinamente lírico em torno daquele homem que, ao ouvi-lo,
prestávamos-lhe atenção e não éramos capazes de o esquecer. E sempre
achei que também ali estava um bom actor. E acho que com tempo e com
melhores argumentos, com mais retenção e menos confiança depositada
apenas no dinheiro, nas letras das canções para cantar, poderia ter
sido um actor soberbo. Poderia ter feito uma data de outras coisas
que nunca pôde fazer enquanto esteve sob a tutela de Tom Parker.
Há alguma coisa que queira dizer aos fãs de
Elvis?
Apenas o
que posso dizer aos fãs de Elvis é Deus abençoe os vossos corações e
quaisquer outros órgãos que tenham que continuam a apresentar-se ao
serviço.
Fonte:
Internet. |