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Local:
Madison Square Garden, Nova Iorque.
Senhoras e senhores, tenho o prazer de vos apresentar
o Sr. Vernon Presley, o pai de Elvis Presley. O Sr. Presley tem um
amigo que está aí a chegar.
Olá! Obrigado. Muito obrigado. Como estão? Querem que
me sente?
Sim!
Antes de mais, declaro-me inocente de todas as
acusações. Vamos a isto.
Amamos-te, Elvis.
Obrigado, querida, também te amo a ti. Obrigado.
Ao longo dos anos toda a gente sempre disse que você
é muito tímido, o que tem a dizer sobre isso?
Oh, não sei porque motivo eles pensam assim… eu…
vocês sabem… tenho aqui este cinto de ouro (ri-se)… o cinto é um
prémio do International por ter batido um recorde de audiência…
Porque motivo esperou tanto tempo para aparecer em
Nova Iorque?
Acho… acho que foi uma questão de não conseguir
encontrar o edifício certo, o mais adequado. E tivemos de esperar
pela nossa vez para conseguir o edifício. Não conseguimos um bom
edifício em 15 anos. Não, fora de brincadeiras, tivemos de esperar
pela nossa vez para entrar… no Garden, vocês sabem. Só espero que
possamos dar um bom espectáculo para toda a gente. Oh, eu gosto.
Aprecio bastante.
Porque motivo acha que conseguiu sobreviver mais do
que qualquer outro artista?
Tomo vitamina E (ri-se). Estava só a brincar… não sei
(ri-se)… eu só… me envergonho a mim mesmo, caramba. Ah, não sei,
querida, limitei-me… a gostar desta área de negócio. Gosto do que
faço.
Estou a lembrar-me do Ed Sullivan Show.
Também eu… por isso é que estou sentado.
Você costumava ser criticado por usar cabelo comprido
e por fazer todos aqueles giratórios sobre o palco. Como se sente em
relação a isso agora?
Caramba, eu era completamente inofensivo comparado
com o que fazem agora, está a brincar? (ri-se). Nunca fiz mais nada
senão abanar-me, sabe.
Mostre-nos o abanão!
Não (ri-se), não posso… não posso fazer isso. É
melhor poupar-me para o espectáculo.
Como se sente em relação à forma como os artistas se
comportam hoje em dia sobre o palco?
Oh, eu… não sei. Não sou realmente capaz de criticar
seja quem for no campo do entretenimento. Acho que há espaço para
toda a gente. Detesto criticar outro artista.
Está satisfeito com a imagem que estabeleceu?
Bem, a imagem é uma coisa, e o ser humano é outra,
sabe. Por isso, é muito difícil viver de acordo com uma imagem. Vou
dizer apenas isto.
Que tipo de públicos acha que atrai agora?
Bem, descobri que nos públicos que temos, é uma
mistura. Há pessoas mais velhas, mais jovens e até mesmo muito
jovens. Todo o género de pessoas, sabe, o que é bom. Acabei de fazer
um filme… sobre a última tournée que fizemos, é o primeiro concerto
ao vivo que filmamos, por isso, esse é o meu próximo projecto a
sair. Há tantos sítios onde ainda não estive. Como Nova Iorque, por
exemplo. Também nunca fui à Grã-Bretanha. Gostava de ir, sim,
senhor, gostava muito. Gostava muito de ir à Europa. Gostava de ir
ao Japão e a todos esses sítios. Nunca saí deste país, excepto
quando estive a servir o meu pais. Sim, adoraria lá ir. Sim.
Elvis, o que o fez decidir acabar com os filmes e
continuar com as actuações ao vivo?
Sentia saudades. Sentia a falta da proximidade de uma
audiência… de um público ao vivo. Por isso, mal me consegui libertar
dos contratos cinematográficos, comecei outra vez a actuar ao vivo.
Vai continuar a actuar cada vez mais?
Acho que sim.
Qual é a sua opinião sobre o Serviço Militar
obrigatório?
Preferia guardar as minhas perspectivas pessoais para
mim mesmo. Porque sou apenas um artista e prefiro não comentar.
Porque motivo a MGM filmou o seu primeiro concerto em
Boston, Elvis On Tour, quando poderiam tê-lo filmado aqui?
Não sei. É uma boa pergunta. Porque é que foi,
Coronel? (ri-se) (Tom Parker) Não ouvi a pergunta. Podia repetir?
Porque é que filmaram o concerto em Boston e não o
filmaram aqui?
(Tom Parker) Filmá-lo aqui… poderíamos estar a ir contra a lei.
E sobre política?
Não estou envolvido em nada disso. Sou apenas um
artista.
Porque é que não filma ou escreve uma biografia sobre
si mesmo?
Apenas sinto que ainda não é tempo disso. Talvez o
faça um dia, mas não agora. Gostaria de fazer algo tipo o argumento
de um filme, se conseguisse encontrar o tipo certo de propriedade.
De facto, andamos à procura de algo assim neste momento. Estamos a
falar de algo que não envolva canções. Sim, gostaria de fazer isso.
Hoje em dia é difícil de encontrar bom material, todos se queixam.
Também é difícil de encontrar boas canções de rock puro, a sério que
é. Se as encontrasse, adoraria cantá-las. Acho que há tantas
empresas e toda a gente se está a tornar independente depois de
terem um disco êxito, formando as suas próprias empresas. E há cada
vez mais. E as pessoas que escrevem as canções também estão a
começar a gravá-las. E é por isso que é tão difícil de encontrar bom
material. Estou numa empresa editora, mas aceito canções de todo o
lado ou de quem quer que seja, desde que sejam boas. Não precisam de
vir directamente da companhia à qual pertenço. Podiam ser de uma
pessoa completamente desconhecida ou uma pessoa qualquer que escreva
uma canção, se ma conseguirem fazer chegar. Se for boa, eu canto-a.
Elvis, o que pensa do seu sucesso nos anos 50?
For a de brincadeiras, aconteceu-nos tudo tão
depressa, à minha mãe, ao meu pai, a todos nós. E foi da noite para
o dia e tivemos de nos adaptar a uma série de coisas muito
rapidamente… Não sinto assim muitas saudades desse tempo. Gosto
tanto do mundo onde estou inserido como gostava então ou ainda mais.
Gostaria de pensar que melhorámos ao longo destes últimos 15 anos.
Fica farto das pessoas que o reconhecem e lhe pedem
autógrafos?
Não, habituei-me a isso. Sentiria a falta disso se
deixasse de acontecer, sabe? Se ninguém me visse ou se ninguém me
reconhecesse, ou me pedisse um autógrafo, eu… para mim, isso faz
parte do mundo onde estou inserido e aceito com naturalidade. Acho
que sentiria muito a falta disso.
Vai ser feita uma gravação deste concerto?
É possível. Não sei. Eles têm cá os oficiais da RCA
Victor, por isso, não sei.
De todos os discos que gravou, qual é a sua canção
favorita?
It’s Now Or Never, O Sole Mio (aplausos). O Sole Mio
foi a que vendeu mais. E depois a que vendeu mais foi Don’t Be
Cruel, acho eu, seguida de Hound Dog… Heartburn Motel, ou lá o que
é.
(inaudível)
Fui até ao Hawaii para me bronzear para Nova Iorque
(ri-se), cheguei a noite passada já muito tarde e tive de me ir
deitar, porque agora vamos ter um ensaio e vou logo para lá depois
desta conferência de imprensa… a não ser que tenham algo melhor em
mente (ri-se).
Vai, leão! A sua esposa, Priscilla, está consigo?
Não, não está. Se falo com o meu pai? Tenho de falar
(ri-se), é ele que lida com todos os meus assuntos pessoais.
Bem, senhor… A que ponto se apercebeu que o seu filho
era mais do que um filho vulgar?
(Vernon Presley) Bem, é difícil de dizer. Sabe,
aconteceu tudo tão depressa, que é difícil de nos mantermos a par.
Estoirou da noite para o dia e pronto. Por isso eu diria que…
provavelmente em 1956, com o primeiro espectáculo televisivo.
(Elvis Presley) Tentei avisá-lo antes, mas ele não me quis ouvir.
(Vernon) Não, não tenho nenhuns arrependimentos. De facto, gostei
muito de tudo o que aconteceu, a sério.
Elvis, que tipo de canção é que gosta mais de cantar?
Não, é algo consciente… eu, eu gosto de as misturar.
Por outras palavras, gosto de cantar uma canção como Bridge Over
Troubled Water ou An American Trilogy, ou algo parecido. Depois
misturo tudo e faço algum rock’n’roll, bem mexido. Não me sinto nem
um bocadinho envergonhado de Hound Dog ou de Heartbreak Hotel, pelo
que estas canções representam.
Elvis, consegue imaginar-se a tirar a reforma?
Na realidade, não. Tenho demasiada energia. Não acho
que me vá reformar. Não enquanto puder.
(Tom Parker) Gosto de viver segundo a minha reputação de ser um
fulano simpático, acabou-se, malta.
Lindo, Elvis, lindo.
Tenho de regressar ao ensaio, pessoal, muito
obrigado.
Fonte:
Internet. |