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ENTREVISTA COM MARLYN MASON - 09 DE DEZEMBRO DE 2005

   
Legendas: Marlyn Mason hoje; Marlyn com Elvis em The Trouble With Girls.

Marlyn Mason representou o papel de Sally Weldon na série televisiva Ben Casey durante os meados dos anos 60, antes de fazer a sua estreia cinematográfica, como Charlene (o papel que originalmente deveria ter sido representado pela cantora Bobbie “Ode to Billy Joe” Gentry), no filme The Trouble With Girls (And How To Get Into It).

 

Quando The Trouble With Girls surgiu, candidatou-se ao papel?

Não. Pelo que me recordo, não fiz nenhumas audições. Eu tinha acabado de sair de um musical da Broadway. E recebi uma chamada telefónica do meu agente a dizer que me queriam num filme com Elvis Presley. E não tenho memória nenhuma de alguma vez ter feito qualquer teste. Limitei-me a ir ter com o realizador, Peter Tewksbury e Lester Welsh, o produtor. Isso pelo que me recordo. Se é que fiz audições para o filme, não me lembro. Mas há muitas coisas das quais não me recordo.

 

Quando lá chegou, conte-nos o que aconteceu.

Bem, fui conhecê-los, não me lembro de como foi quando os conheci, mas lembro-me muito bem do dia em que conheci Elvis. E esse foi o primeiro dia de ensaio. Jonathan Lucas era o coreógrafo. Eu entrei e haviam dois miúdos que também iam entrar no musical connosco. E lá entrou Elvis, pronto para trabalhar, não podia ter sido mais simpático, não podia ter sido mais acolhedor. E foi assim durante as dez semanas que se seguiram. Foi uma perfeita maravilha trabalhar com ele.

 

Como era o seu relacionamento com Elvis no estúdio?

Engraçámos imediatamente um com o outro. E desde o primeiro dia que ele me chamava Cap (boné). Eu trazia um pequeno boné na cabeça. E usava sempre aquele boné quando ia trabalhar. E então baptizou-me de Cap. E ele dizia, “Vem daí, Cap. Vamos almoçar.” E então lá íamos para o seu, uma espécie de apartamento que eles tinham lá nos estúdios. Íamos almoçar lá. Os rapazes também estava lá. Quer dizer, era como se fosse uma festa. Nunca íamos ter com o comissário. E não me lembro de alguma vez ter almoçado noutro sítio do que com ele no seu apartamento, pois era ali que estava o frigorífico. Era onde estavam os iogurtes dele. Estava muito magro, muito atraente. Provavelmente no auge a nível de saúde. Quer dizer, tinha um aspecto magnífico.

 

Então Elvis andava a alimentar-se bem.

A alimentar-se bem, sim. Na aquela altura estava a cuidar de si, sim.

 

O que comia ele na altura?

Todos nós comíamos iogurte. Eu andava a debater-me com um problema de peso. E eu tinha 28 anos quando fiz o filme e já tinha um ligeiro problema de peso. Então tentei alimentar-me de iogurtes como Elvis fazia. Mas ele tinha um aspecto fabuloso. Não podia estar em melhor forma física.

 

Como foi trabalhar com Elvis?

Eu não ia preparada para gostar de Elvis logo naquele primeiro dia. Pensei, “Aqui está este tipo do qual oiço falar há tanto tempo, bem como da sua música”, e não estava preparada para gostar dele. Quer dizer, estava preparada para não gostar dele. E fiquei tão surpreendida quando vi que ele era tão querido e simples. E ele gostava de ensaiar. Adorava ensaiar. Sabia sempre as suas deixas. Nunca vinha sem estar preparado. Foi dos maiores profissionais com quem trabalhei. E nunca, nunca o vi mal disposto. Sempre alegre. Adorava acender fogos-de-artifício. E logo quando estávamos no meio de uma cena. E o realizador dizia, “Corta. Elvis, estamos a filmar.” E ouviamo-lo rir. Mas ele adorava fazer aquilo.

 

Qual era a frequência em que Elvis fazia as suas pequenas partidas?

Oh, era a todo o instante. Andávamos sempre a pregar partidas. Dez semanas, foi só isso que fizemos… Lembro-me que tínhamos, na primeira semana, penso eu, tivemos de fazer uma cena de um desfile. E haviam imensos tanques com hélio à volta para encher os balões. E assim, antes de irmos para uma cena, ambos inalávamos o hélio e o realizador gritava, “Acção.” E começávamos a falar com aquela voz esganiçada que o hélio nos faz. Estávamos sempre a fazer coisas assim.

 

E o que é que o realizador e as outras pessoas diziam sobre as partidas?

Oh, era ele que marcava o ritmo. Eu estava a falar com uma pessoa qualquer. Mas era Elvis que marcava o ritmo. Acho que todos os actores naturais o fazem, façam o que fizerem. São eles que marcam o ritmo de como a equipa se deve comportar e são eles que demarcam as sensações e o ambiente no estúdio. E por causa do facto de Elvis ser tão querido, aquele filme foram dez semanas de felicidade.

 


Legendas: Marlyn com Elvis; Marlyn com Elvis e Edward Andrews.

 

Qual foi a primeira cena que fez com Elvis?

Oh, caramba, lembro-me de ensaiar… Teve de ser no exterior, porque foi a cena do desfile que filmámos primeiro. Por isso, só pode ter sido uma sequência de todo aquele desfile inserido na história.

 

Fale-nos um pouco do seu personagem.

Oh, eu gritei e berrei com ele durante todo o filme. Eu era a senhora do sindicato e ele era o empresário deste grupo chamado Chautauqua, que existe mesmo… De facto, acho que ainda existem hoje. E a história era… o objectivo de Chautauqua era levar a cultura às áreas rurais. Então ele era o empresário e eu cuidava das crianças. Mas também pertencia ao sindicato. Andava sempre a gritar com ele por causa disto ou daquilo e gritei com ele durante o filme inteiro. E, claro, podemos ver no filme que ambos nos sentíamos muito apaixonados um pelo outro. Mas nunca iríamos confessá-lo um ao outro. E foi… acho que isso dá para perceber no filme.

 

Então, não houve nenhum grande romance com Elvis fora do ecrã.

Oh, não. Ele era casado e tinha a Lisa, que na altura devia ter uns seis meses, acho. Porque lembro-me de ele ter trazido uma fotografia de Priscilla com a bebé. E ela estava no chão com a bebé. Ela estava assim como que deitada de lado. E o bebé estava deitado à frente dela. E lembro-me que a Lisa não tinha roupa nenhuma. Era uma foto típica… uma linda foto da mãe com a filha. E eu nem conseguia acreditar como Priscilla era linda porque sempre a tinha visto com aqueles penteados muito altos. Mas na foto o seu cabelo era liso e solto. E ela era absolutamente espantosa. Era tão linda quanto atraente. E pensei que faziam um casal extraordinário. No entanto, ela nunca apareceu no estúdio. Um dia perguntei-lhe, “A Priscilla nunca te visita?” E ele respondeu, “Não.”

 

Lembra-se de ver o Coronel Parker no estúdio?

Sim. Não era uma pessoa que se pudesse abordar com facilidade. Acho que eu não lhe ligava nenhuma. Porque ele era diferente de todas as outras pessoas, sabe, das que estavam ligadas aos filmes. Era muito superior. E lembro-me que um dia chamei-o para ao pé de mim. Foi no dia das bruxas e eu tinha trazido um pequeno carrinho vermelho. E uma amiga minha tinha desenhado o rosto de Elvis numa abóbora que estava… bem, estava espectacular. Os dentes… tinham sido usadas sementes da abóbora para os dentes, e os fios interiores da abóbora para fazer o cabelo. Quer dizer, parecia… a abóbora parecia-se mesmo com Elvis. Estava magnífica. E tinha-a enchido com bolinhos. Elvis achou que estava optima. E calhou o Coronel aparecer no estúdio. E eu disse, “Oh, Coronel, venha cá.” E o Elvis, muito suavemente, inclinou-se para mim e disse, “Nunca se pede ao Coronel para chegar onde quer que seja. Somos nós que vamos ter com ele.” Nunca mais gostei do Coronel depois de ouvir aquilo. Mas ele não aparecia muito. Não tive qualquer tipo de relacionamento com ele.

 

Você gravou com Elvis no estúdio, certo? Quando é que isso aconteceu?

Isso aconteceu, oh caramba, foi num pequeno estúdio famoso que há no Sunset Boulevard, mesmo a este de Vine.

 

Seria o Radio Recorders?

Oh, meu Deus, esse nome é-me bastante familiar. Podia ter sido. Provavelmente foi. E lembro-me que Mac Davis estava lá. E divertimo-nos imenos. Foi uma canção pateta que eu gravei. Mas só depois de muitos anos é que um homem da Inglaterra me escreveu. E ele dizia, “Você sabe que foi uma das únicas quatro mulheres que gravaram com Elvis?” Não fazia ideia nenhuma. Estava acompanhada – e muito bem, acho eu, por Ann-Margret. Devem conhecê-la. Ann-Margret, Nancy Sinatra, Shelley Fabares, acho eu, e eu. Sim. Por isso, foi bom saber.

 

A canção foi Signs of the Zodiac?

Signs of the Zodiac. Sim. Uma cançãozinha pateta. Sim, tenho uma foto que utilizo para os meus fãs quando me pedem para ter uma foto minha com Elvis. E estou nos seus braços. Ele está por trás de mim e tem os braços em torno de mim. E estamos a meio de uma actuação. E eu assino sempre, “Nos braços do Rei.”

 

O que era tão único em Elvis que o fazia ser diferente dos outros artistas?

Eu não era uma fã da sua música quando o conheci. E depois de trabalhar com ele e de o ver a cantar, sabe, a divertir-se, é que me apercebi como a sua voz era maravilhosa. Tinha uma voz magnífica. Acho que às vezes parecia quase operática. E pensei porque motivo não a usava mais ele assim? Mas o tipo de música que ele fazia não exigia isso. Acho que quando se aproximou mais disso foi a cantar My Way ou nalgumas canções do mesmo género em que ele realmente atinge as notas mais altas. Não sei explicar o motivo de ele ser tão único. Não acho que isso seja uma pergunta que se pode responder. Quando dizem, “Ele tem aquilo”, ou “Ela tem aquilo”, ninguém sabe definir o que “aquilo” é. É algo que atrai as pessoas. E ele era assim. Quer dizer, todos os dias em que o víamos, ele chegava ao estúdio e… lembro-me que ele tinha um fato branco com uma camisa azul clara e um chapéu branco. Oh, meu Deus. Não éramos capazes de nos fartar de olhar para ele. Quer dizer, era, todos os dias era como se o víssemos pela primeira vez. E ele era… havia algo nele. E quando ele falava com alguém, olhava através da pessoa. E era tão educado. O Sr. Tewksbury, o realizador, nunca era chamado de Peter. Ele dizia sempre Sr. Tewksbury. Tinha aquele charme sulista.

 

Houve aquela cena em que ele se estava a esconder no armário e você andava à procura dele, não foi?

Sim. Essa é uma das minhas cenas favoritas, sim.

 

Também se verifica ali um bocadinho de tensão. Pode-se ver que realmente gostavam um do outro.

Oh, sim. Essa cena… Oh, o outro actor que estava em cena connosco. Quero dizer. Caramba, está mesmo na ponta da língua, consigo ver o rosto dele como água cristalina. Éramos três e era uma cena em que falávamos e eu estava no meu auge. E podemos ver Elvis. Ele está genuinamente a apreciar fazer aquela cena. Está mesmo envolvido. Mas essa é uma das minhas cenas favoritas no filme. Divertimo-nos imenso a fazer essa cena. E estou a tentar lembrar-me do nome do actor, mas não consigo.

 

Fale-nos da cena dos fogos-de-artifício.

Oh, isso foi… Eu estava com um bocadinho de medo porque nunca gostei de estar à volta de acrobacias ou qualquer coisa que possa apresentar algum perigo. E tinha de me certificar de que ia ficar bem, que não ia… que nenhum de nós ia, você sabe, apanhar com um míssil. Porque quando vemos a cena no filme, parece muito mais perigoso do que na realidade foi. Mas foi super divertido filmar isso. Não me lembro, mas acho que filmámos à noite. Sim, foi isso.

 

De que é que você e Elvis falavam?

Falávamos imenso. Falávamos sobre música. De facto, a única discussão que tivemos, uma discussão simpática, foi sobre música. Nas primeiras duas semanas de filmagens, fizemos a cena do desfile e depois entrámos para o que era suposto ser uma tenda enorme. E havia lá um berço de bebé e um piano. E Jonathan Rubenstein era um dos miúdos no filme. Era um excelente pianista. E assim, entre as cenas, ele sentava-se ao piano e tocava músicas de espectáculo e eu interpretava Ethel Merman. E Elvis não percebia nada de comédia musical, nunca a tinha feito, que eu saiba. E dizia, “Ei, Cap. Chega aqui.” Então, lá fui ter com ele ao seu camarim e disse, “O que é que queres?” E ele disse, “Que raio de matéria à Broadway é aquela que vocês estão a cantar?” E eu respondi, “Bem, é o tipo de música com a qual fui criada.” E então entrámos num pequeno debate acalorado… e eu disse, “Deixa-me que te diga uma coisa. Quando te conheci, não gostava da tua música, mas desde que te conheci e te ouvi a cantar um bocadinho, estou a começar a gostar. Por isso, talvez tu também comeces a apreciar esta música.”

 

E então, no dia seguinte, o Joe Esposito trouxe uma pequena cassete. Foi quando as cassetes começaram a aparecer e trouxe também um pequeno gravador. E ele disse, “Quero que saibas que isto é oferecido pelo Elvis.” E foi ele que comprou aquilo. Nunca me esqueci. Quem me dera ter guardado aquelas coisas. Não guardei nada das coisas que Elvis me deu. Mas aquela era a sua forma de dizer, “Okay, desculpa lá ter criticado tanto o teu tipo de música.” Acho que foi isso… foi assim que interpretei.

 

Lembra-se sobre o que era a cassete?

Oh, uma delas era “Camelot”. E haviam vários outros espectáculos da Broadway. Achei que foi uma coisa mesmo querida da parte dele fazer. E não me lembro bem, mas acho que lhe ofereci um livro sobre comédia musical. Acho que sim, mas não tenho a certeza, foi uma históriazinha sobre o teatro musical americano.

 

Mas falávamos  muito. E uma coisa que ele me disse foi a que considerei ser a mais triste de todas. Era mesmo destroçador. Foi um momento muito sério. Nem sei bem como começámos a conversa. Mas ele disse, “Gostava de fazer um bom filme, porque sei que as pessoas desta cidade se riem de mim.” E eu pensei que, com todo o seu sucesso, ele queria fazer um filme que fosse diferente dos chamados filmes à Elvis. E, claro, isso nunca aconteceu e nunca viremos a saber como era o seu potencial. Porque eu achei-o extremamente talentoso, tinha uns excelentes instintos cómicos, um timing perfeito, era muito… Era fácil falar ao mesmo tempo com ele. Fazíamos muito isso. Se o realizador ia fazer um grande plano de Elvis e ele quisesse obter uma certa reacção, vinha ter comigo e dizia algo do género, “Não me importa como o fazes, mas esta é a reacção que quero obter dele.” E então lembro-me que uma vez eu estava fora da imagem e era um grande plano dele. E era suposto eu estar sentada, para que ele olhasse de cima para baixo, para mim. E eu comecei a desabotoar muito lentamente a sua camisa e a tirar-lhe o cinto em muito silêncio. E ele não parava de me lançar uns olhares. Bem, era aquilo que o realizador queria. E ele respondeu na perfeição. Ele não parou para dizer, “Mas que raio está ela a fazer?” Limitou-se a ir na onda. Foi óptimo. Era óptimo trabalhar com ele.

 

Então você acha que se lhe tivessem dado um papel dramático, ele teria sido bom?

Acho que teria sido fabuloso, mas nunca iremos saber. Poderia ter sido péssimo. Mas gosto de pensar que ele teria alcançado um nível que nem ele mesmo sabia ser capaz de ter.

 

Que tipo de coisas fazia Elvis em estúdio? Ouvia gravações diferentes, esse tipo de coisa?

Não, se estivéssemos no estúdio, ficávamos por ali sentado… lembro-me de me sentar muito ao seu colo, de andar com ele e os seus rapazes. Mas não, ele também se misturava com as pessoas. Ele não era nada superior sob nenhum ponto de vista. Mas, claro, também passava algum tempo no seu camarim. Lembro-me que uma vez ele me convidou a entrar, “Cap, anda cá.” E eu entrei. “O que queres?” Ele respondeu, “Escolhe daqui o que quer que te apeteça ter.” E ele tinha lá roupas que tinham trazido para ele vestir. Mas também tinha um monte de lenços e chapéus. E ele sabia que eu gostava de usar bonés e chapéus. E então, disse, “Escolhe o que te apetecer.” Eu disse, “Bem, escolhe tu um para mim.” E então ele escolheu um chapéuzinho que achava que me ficava bem. E escolheu um lenço. Dava tudo para poder ter esse chapéuzinho e lenço agora.

 

E depois ele também lhe assinou uma fotografia.

Sim. Sim, a fotografia autografada, tenho. Sim.

 

Conte-nos como é que isso aconteceu.

Bem, foi engraçado. As pessoas falam muito sobre a espiritualidade de Elvis. Nunca entrámos em nenhumas conversas sobre religião. Não sou uma pessoa religiosa. As nossas conversas nunca foram por aí. Mas acho que quando estamos em sintonia com alguém, é como se as tivéssemos na mesma. Sentimos as coisas. E eu podia estar sentada a vários metros dele, e sentir algo, e voltava-me. E ele estava a olhar para mim. E às vezes era a ele que lhe acontecia. Era eu que o observava. E ele virava-se e… E falávamos sobre isso. E eu dizia, “O que será isto?” E ele dizia, “É a testemunha.” Por isso, na fotografia, diz, “A testemunha sabe tudo.” E isso era por causa daquela sensação entre nós, que só nós dois sabíamos… nenhum de nós era capaz de explicar. Sentia-me muito próxima dele. E posso dizer que sei que ele gostava muito de mim. E também gostava muito dele. Era apenas… foi apenas um relacionamento muito doce. E que me será sempre muito querido.

 

Quando o filme saiu, manteve-se em contacto com Elvis?

Nunca mais voltei a ter qualquer contacto social com ele. O Charlie Hodge telefonou-me uma ou duas vezes depois do filme, mas nunca mais voltei a ver Elvis socialmente, nunca mais voltei a falar com ele. Se fosse fim-de-semana, nunca tinha notícias de Elvis. Apenas durante os cinco dias de trabalho semanais. Teria sido interessante. Gostaria de o ter visto numa situação social. E também porque não faço ideia de quem era o Elvis privado. E se era… quer dizer, não poderia ter sido… Tinha de ser uma pessoa razoavelmente decente na sua vida privada, visto que era tão maravilhoso trabalhar com ele. E nunca senti que houvesse algo nele que fosse falso, em toda a simpatia que tinha. E acho que isso tem de ser transposto para a vida pessoal de uma pessoa. Mas viver com ele, como seria? Não faço ideia como seria viver com ele.

 

Quando ele estava em estúdio, alguma vez jogava futebol ou algo assim?

Sim, houve uma pequena cena de futebol, se se lembrar do filme. E na altura todos jogaram, mas não muito, apenas um pouco. Porque nós não… mal avançássemos, não havia… mal abandonássemos as filmagens exteriores, já não havia sítio para jogar futebol.

 

No estúdio com Elvis, alguma vez participou com ele nas suas partidas práticas?

Oh, caramba. Metemo-nos numa que tinha a ver com tartes. Não me lembro bem como foi. Lembro-me que arranjaram uma tarte para mim e que atirei com ela à cara de um fulano. Mas não me lembro como foi o incidente. E sei que uma vez um fulano despejou algum gás lacrimogéneo no camarim de Elvis por brincadeira. Ele não sabia que eu estava lá dentro. Estava sentada no chão. Elvis estava sentado aqui e alguns dos rapazes, aqui. E a porta abriu-se e com o som da porta, veio também o som de uma tampa a sair e lá veio o gás. E foi-me mesmo para os olhos. Oh, fiquei uma desgraça durante umas duas horas. Tiveram de me refazer toda a maquilhagem. Fiquei uma desgraça. E foi o mesmo miúdo que fez isso, tenho uma foto dele com uma tarte na mão. No dia seguinte, atirei-lhe com a tarte à cara. Porque queria que soubesse que não estava zangada. Porque não era a intenção dele magoar-me. Mas aquilo assustou-o, pois ele pensou que me tivesse mesmo prejudicado. Bem, prejudicou-me durante duas horas. Mas Elvis lidou com a situação muito bem, quer dizer, nunca vi aquele homem zangado uma única vez.

 

Vincent Price também participou no filme.

Partilhei um camarim com Vincent Price e John Carradine. No primeiro dia de filmagens, não trabalhei, mas tive de fazer uns ensaios para a minha peruca. E então fui trabalhar. E estava no palco de som e precisava de pôr a minha bolsa e argumento nalgum lado. E perguntei, “Onde posso pôr as minhas coisas?” E alguém disse, “É só um momento. Oh, pode pô-las no camarim do Sr. Carradine e do Sr. Price.” Por isso, posso dizer que partilhei um camarim com os dois. Mas para além de os ter conhecido, nunca conversei com eles.

 

Lembra-se de eles terem conhecido Elvis?

Não, não. Acho que só trabalharam um ou dois dias.

 

Porque não tinham cenas com Elvis.

Não. Não. Não. Eles tiveram de conhecer Elvis naquele dia, porque Elvis estava no estúdio. E eu também estava lá.

 

Tem algumas recordações da menina no estúdio?

Ela era muito profissional. Não era uma fedelha temperamental. E é triste saber como ela acabou. Acho que foi com uma overdose. Sim. Era uma menina adorável. Sim, ela entrou no número Signs of the Zodiac connosco. Sim. Mas era muito profissional. Eram todos.

 

Chegou alguma vez a ver Elvis ao vivo depois do filme?

Não, mas acho que, se não me falha a memória, vi o seu especial.

 

O especial de 68?

Sim. E fiquei parva. Quando vi aquilo, apaixonei-me realmente pore le como artista. Provavelmente esse foi um dos melhores especiais que vi o que, para o meu gosto, é dizer muito. Quer dizer, ele foi fabuloso. Lembro-me que as pessoas estavam todas à volta dele. Ele estava sobre um palco pequeno. E acho que também foi na altura em que ele chegou ao trabalho um dia e disse, “Assinei para ir tocar ao vivo em Vegas.” Na altura pensei que ele nunca actuaria ao vivo em Vegas. Seria verdade? Mas actuou em Vegas depois de 68. E estava todo entusiasmado. Era como um miúdo. Era tão… “Eu vou actuar em Vegas.” Quer dizer, havia uma inocência nele que… acho que era parte daquilo que fazia dele dele tão charmoso, esta, esta vulnerabilidade. E acho que era uma parte que… Uma parte que nós gostaríamos de tomar conta e…

 

Então, seguiu a sua carreira?

Não, não. Quando ele morreu, fiquei parva. Sei que fez mais um filme depois do meu. Acho que foi com a Mary Tyler Moore? Acho que foi o seu último filme. E não, não sei o que foi feito dele depois disso, para além de ver as fotos quando começou a engordar e não ter bom aspecto. E pensei, oh, que pena, e interroguei-me sobre o que se passaria com ele. E… mas sempre que vi aquelas fotos, lembrava-me sempre como tinha sido estar com ele.

 

Então acha que pode descrever com foi quando o viu no especial televisivo de 68)

Oh, lembro-me apenas de me ter sentido espantada com a sua exibição. Nem podia acreditar. Quando vemos aquilo, ele é tão natural. Está tão à vontade. Nunca achei que ele voltasse a actuar ao vivo. Mas vê-se que estava a fazer algo que adorava fazer. E era natural nele. Ele sabia como… nem sequer era uma questão de saber como actuar. Ele apenas sabia.

 

Onde estava quando soube que Elvis tinha morrido?

Sabe que não me lembro disso? Lembro-me onde estava J.F.K.. Quer dizer, lembro-me de onde eu estava quando J.F.K. morreu. Mas não… acho que estava em casa e provavelmente ouvi na televisão e foi tão triste. Quase não pude acreditar.

 

Depois de um quarto de século, porque é que acha que Elvis está maior do que nunca?

Porquê? Porque ele, mais uma vez, é inexplicável. Ele chega a ultrapassar Monroe e Jimmy Dean. Quer dizer, eles… quer dizer, eles ganharam estatura com as suas mortes. Mas Elvis, não há forma de… quer dizer, ele é o rei. E só há um Elvis. Só há uma Marilyn e só há um Jimmy Dean. Mas Elvis, acho eu, a música, toca mais as pessoas. Não vemos os filmes de Monroe ou de Jimmy Dean vezes sem conta. Mas ouvimos sempre a música de Elvis algures. E isso mantém-no muito vivo entre nós.

 

O que é Elvis, a nível pessoal, significa para si?

Oh, provavelmente as melhores dez semanas da minha carreira. Até fico com os olhos cheios de lágrimas. Sim, foi uma altura maravilhosa. Sim. E foi um grande, grande privilégio para mim, uma honra para mim, ter estado com ele nessa altura. E também quando ele esteve em tão boa forma.

 

 

Fonte: Internet.

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