|
Legendas: Billy Smith,
actualmente; Billy Smith sentado ao colo do Coronel Parker, num
intervalo das filmagens de Frankie and Johnny e Junior Smith
com Elvis, em Nova Iorque, mais o seu par, em 1956 (Junior está
sentado atrás de Elvis).
Billy
Smith foi primo em primeiro grau de Elvis, filho do irmão mais velho
de Gladys Presley. Billy era 8 anos mais novo que Elvis e cresceu
com ele em Tupelo. A família de Billy também foi com os Presley
quando se mudaram para Memphis. Quando Elvis comprou Graceland,a
família de Billy também se mudou para lá e o seu pai, Travis,
trabalhou para Elvis como Chefe da Segurança. Quando Billy ficou com
idade suficiente para isso, começou a trabalhar com a equipa da
Máfia de Memphis.
Uma vez
casado, ele e a sua mulher, Jo, passaram a viver nas traseiras de
Graceland, excepto durante alguns anos em que Billy trabalhou no
caminho-de-ferro. Eram uma verdadeira família e ficaram na companhia
de Elvis até ao último dia da sua vida. Sendo ele tanto um elemento
da família como da Máfia de Memphis, Billy Smith foi provavelmente o
amigo mais próximo que Elvis teve na vida. Billy vive no Mississippi
e ainda trabalha como especialista de máquinas numa empresa do ramo
metalúrgico.
Billy Smith, Marty Lacker e Lamar Fike estiveram recentemente
envolvidos no relançamento do excelente livro Elvis & The Memphis
Mafia. Com quase 800 páginas, o livro é justificadamente
criticado como sendo um dos melhores livros alguma vez escritos
sobre Elvis. A EIN recebe regularmente perguntas sobre Billy Smith e
a sua vida com Elvis, por isso, agradecemos-lhe com sinceridade
tirar um pouco da sua vida atribulada para responder a esta longa
entrevista. Aqui Billy fala sobre a sua família, a Máfia de Memphis,
os anos no cinema, como foi conhecer os Beatles e muito, muito mais.
A
Família
Qual é a
recordação mais antiga que tem de Elvis? Lembra-se de Elvis cantar
para si ou para a família antes de ficar famoso?
Lembro-me muito bem de ele cantar imenso para a família e outras
pessoas. Sempre teve uma paixão pela música, desde tenra idade.
Lembro-me bem de, quando ainda era miúdo, Elvis me ter tirado de um
caixote do lixo! Caí mesmo de cabeça lá para dentro. Eu era pequeno
e estava a tentar retirar algumas bananas que o homem da frutaria
tinha deitado fora. Elvis viu-me a cair enquanto passava e foi lá
tirar-me!
Como a
maior parte das pessoas sabem, o pai de Elvis, Vernon, foi para a
cadeia por forjar um cheque. É verdade que o seu pai também foi para
a penitenciária, mas que o avô de Elvis pagou a fiança para Travis
sair e deixou lá o próprio filho? Isso parece muito estranho.
Bem, é
verdade que o meu pai, Travis, foi para a penitenciária com Vernon,
mas Vernon saiu da prisão uns meses antes do meu pai por bom
comportamento. Quando isso aconteceu da primeira vez, o avô de Elvis
tirou o meu pai da cadeia, mas deixou lá ficar Vernon. Ele disse que
era para lhe ensinar uma lição.
Quando
chegou pela primeira vez a Memphis, viveu na mesma casa que os
Presley, em Washington Street. Do que se lembra desse tempo e quão
diferente era de Tupelo? Lembra-se de como a mudança para a cidade
afectou Elvis?
Bem,
para começar, tínhamos canalização! Isso era muito diferente. E
lembro-me que levou tempo até toda a gente arranjar emprego e que um
dos primos do meu pai roubou todo o dinheiro que tínhamos e as meias
novas do meu pai. Ficou mais chateado e zangado por causa das meias.
O tio Vernon e o pai procuraram emprego e até gastaram as solas dos
sapatos só nisso. Lembro-me de os ver a cortar cartão para pôr
dentro nos sapatos para tapar os buracos. Tivemos de comer nabos
durante um mês. Elvis jurou que nunca mais tocaria num nabo depois
disso e acho que realmente nunca mais o fez.
Talvez
que a casa mais famosa onde Elvis morou antes de ficar famoso seja o
apartamento de Lauderdale Courts. Muitas vezes fala-se de Elvis ter
ensaiado com Johnny Burnette e o seu irmão por volta desta altura.
Lembra-se de alguma coisa sobre isto e teve a sorte de ir ver Elvis
a tocar ao vivo com uma espécie de banda de rock’n’roll?
Não me
lembro de nada sobre ele a ensaiar com Johnny Burnette ou o seu
irmão. Quanto a mim, isso nunca aconteceu. E, sempre que podíamos,
íamos sempre vê-lo, especialmente perto de casa. Elvis sempre foi o
meu herói. E sempre fomos amigos próximos, mesmo apesar da diferença
de idade de oito anos. Ele sempre cuidou de mim e eu sempre quis
estar com ele.
Lembra-se do que aconteceu até Elvis gravar o seu primeiro disco, ou
de ensaiar com Scotty Moore e Bill Black? Era falado entre a
família, ou foi uma surpresa para vocês quando subitamente estava na
rádio?
Ele ensaiava, mas era no estúdio. Falava no disco com
os seus pais, e sabíamos que ele ia gravar um, mas quando saiu,
ficámos entusiasmadíssimos. Lembro-me da minha família ter ido até à
casa dele para ouvir o disco passar na rádio daquela primeira vez.
O que
nos pode dizer sobre a sua tia Gladys? Do ponto de vista exterior,
ela parece muitas vezes triste, pois tem sempre esse ar nas fotos
que se tiraram a Elvis depois de ele ficar famoso.
A tia
Gladys era uma boa pessoa. De facto, lembro-me dela como sendo uma
pessoa extrovertida, divertida e amorosa… Andava sempre a rir-se e a
brincar. Mas nessas fotos dos seus anos finais, ela parece mais
triste porque já estava doente, bem como triste por saber que Elvis
tinha de ir para o Exército. Ela era generosa como Elvis, mas também
tinha um temperamento difícil. Elvis e Vernon sabiam muito bem
quando tinham de se afastar depressa. Ela preocupava-se muito e não
estava bem de saúde. Sempre foi muito chegada à família, mas Elvis
era o seu coração.
Adorava-o.
Elvis era um homem espectacularmente
atraente.
Supostamente algumas das suas características deviam-se ao facto de
ter tido uma índia Cherokee do vosso lado da família. Sabiam alguma
coisa sobre isto quando eram pequenos ou alguém contava histórias
sobre Morning White Dove, a vossa avó em quinto grau?
Sim,
Elvis era um homem atraente. O nosso avô era um homem atraente. O
meu pai (Travis), a minha tia Gladys, tia Clettes, tio Johnny e tia
Lillian, todos têm aquele ar Cherokee… pele escura, olhos escuros e
ossos faciais elevados. A tia Lavelle e o tio Tracy pareciam-se
imenso com o pai deles… olhos azuis e pele clara. Ouvimos contar
histórias sobre Morning Dove, mas não tanto assim. Mas sempre nos
disseram que ela tinha sido uma linda mulher.
É óbvio que Elvis era temperamental. É
verdade que a sua tia Gladys tinha o mesmo feitio?
Alguma vez viu o lado mau da sua personalidade?
Sim.
Elvis e a tia Gladys tinham um temperamento difícil e vi o lado mau
de ambos quando estavam zangados ou preocupados. Elvis tinha muita
dificuldade em esconder se algo o perturbava.
E que
dizer de Vernon? Será que ele era assim mesmo tão preguiçoso como
tantas vezes o pintam? E pode fazer algum comentário sobre uma
citação retirada do livro Elvis and the Memphis Mafia que
“Vernon sempre queria mais de tudo, excepto responsabilidade”?!
Ele
nunca gostou de trabalhar. E chegava muitas vezes atrasado ao
trabalho. Só trabalhou nuns dois sítios antes de Elvis ficar famoso,
ao contrário da tia Gladys, que trabalhou em variadíssimos locais
antes de Elvis ficar famoso.
A mim sempre me pareceu que Elvis ter
contratado Vernon como seu gestor financeiro foi um erro terrível.
Se Elvis tivesse utilizado um supervisor financeiro formado que
soubesse como investir, não teria de ter trabalhado tanto nos seus
últimos anos de vida.
Numa
coisa que o tio Vernon era bom era em números, especialmente se os
cifrões estivessem à frente deles! E Elvis confiava nele. Ele olhava
mesmo pelos melhores interesses de Elvis e dos seus.
Mal
Elvis comprou Graceland, mudou-se para lá com a sua família?
O meu
pai, Travis, foi o primeiro guarda de portões que Elvis teve. Por
isso, quando nos mudámos para Graceland, Vernon pediu ao meu pai
para ser o chefe de segurança dos portões, tal como já havia sido na
casa de Elvis em Audubon Drive. Nós vivíamos numa grande casa branca
que ficava na propriedade. Era a mesma casa que Elvis e eu deitámos
abaixo com um bulldozer para arranjar mais espaço para podermos
andar a cavalo.
Poucos fãs sabem a história do seu tio,
Tracy Smith. Por favor, partilhe essa história connosco.
O tio
Tracy teve uma febre quando era criança e isso fez com que ficasse
com um desenvolvimento cerebral lento. Tinha o raciocínio de uma
criança de 12 anos, mas era um homem bom. E tinha uma força
inacreditável. Às vezes Tracy ficava nos portões com o pai e fingia
que era um guarda dos portões. Ele vivia connosco naquela casa por
trás de Graceland. A tia Gladys cuidou dele enquanto viveu e depois
da sua morte, viveu connosco, depois com algumas das suas irmãs. Ele
adorava Elvis e Elvis fez com que nunca lhe faltasse nada.
Pode
contar-nos um pouco sobre Junior Smith, o seu outro primo? Como era
o seu relacionamento com Elvis?
Junior
Smith era o irmão mais velho de Gene e o seu nome verdadeiro era
Carroll. Ele aparece muito naquelas fotos tiradas por Alfred
Wertheimer, da viagem que Elvis fez a Nova Iorque. Ele era sisudo e
perturbado devido ao que lhe aconteceu enquanto esteve no Exército,
na Coreia. Lembro-me dele como sendo uma pessoa nada amigável, e
andou sempre muito perto de Elvis até Elvis ter ido para o Exército.
Junior era parecido com o actor Jack Elam. Tinha as suas expressões
e até tinha um olho com problemas, como Elam. Elam sempre teve
aquele ar de que estava prestes a fazer alguma coisa má às pessoas.
E Junior também! Junior estava deitada na minha casa, na minha cama,
quando morreu.
Isso
foi em 1960.
E o seu irmão Bobby, também não morreu ainda muito
novo?
Sim, o
meu irmão mais velho, Bobby, morreu em 1968. Na altura eu estava a
morar no Circle G, quando não estávamos em Los Angeles. O Bobby e eu
estávamos sempre apenas a uma milha ou duas de distância de Elvis…
crescemos com ele e mudámo-nos para Graceland ainda adolescentes.
Lembro-me que uma vez Elvis levou-nos a fazer compras e comprou-nos
um guarda-roupa completo pouco depois de irmos para Graceland.
Consegue imaginar como nos sentimos por morar num sítio como aquele?
E que
tem a dizer de Gene Smith? Ele parecia ir e vir conforme lhe
apetecia.
Ainda
é vivo?
Gene era primo de Elvis em primeiro
grau.
Era irmão do Junior. Elvis e Gene tinham praticamente
a mesma idade e eram chegados, especialmente nos primeiros anos.
Elvis e Gene até trabalharam juntos na Precision Tool. Gene
trabalhou para Elvis durante alguns anos e foi um dos elementos
originais da Máfia de Memphis, bem como Red West e Junior. Gene
morreu há poucos anos.
O primo
Billy Mann. No livro Elvis and the Memphis Mafia sugere-se
que foi ele que tirou a fotografia de Elvis dentro do caixão. Isto
parece ser mais do que uma coincidência, uma vez que já em 1957 ele
também esteve envolvido num incidente que envolveu notas de 1.000
dólares. Pode confirmar a história?
Sim,
Billy Mann foi quem tirou a fotografia de Elvis dentro do caixão.
(Nota da EIN – a história completa sobre Elvis testar
a honestidade de toda a gente está contida neste livro.
Escusado será dizer que Elvis soube que foi Billy Mann que falhou o
teste em 1957).
Billy, você teve um relacionamento particularmente especial com
Elvis e era mais próximo dele do que qualquer outro elemento da
Máfia de Memphis. Por favor, fale-nos disso.
Sempre
fui chegado a Elvis, mas eu era seu familiar. Muitos no nosso grupo
foram chegados a Elvis, numa ou outra altura. Eu sempre estive
próximo de Elvis, desde criança. Ele sempre pareceu querer-me ao pé
dele e sempre me protegeu muito. Sempre gostei muito de Elvis e era
capaz de fazer tudo para lhe agradar e estar com ele. Podíamos falar
de tudo e falávamos! Ele sentia-se à vontade comigo e confiava em
mim. Pelo menos, sempre me disse que sim. Quando ele ficava doente,
normalmente eu ficava com ele. Normalmente ia para o hospital e
ficava lá com ele. Tinha imenso respeito por ele. Ele fez imenso por
mim e pela minha família nos primeiros anos e pela minha família nos
anos finais. Sempre me disse que me amava. Talvez porque eu também
tenha estado onde ele esteve antes de tudo ter acontecido e esse era
o nosso elo de ligação… éramos família. Ele era o meu herói.
O seu
relacionamento com Elvis está provavelmente mais bem simbolizado na
“Promessa”. Como é que isso surgiu?
A
promessa surgiu porque tivemos um acidente quando éramos miúdos e
jurámos nunca falar disso a ninguém. Prometemos um ao outro. Mais
tarde Elvis contou a alguém e isso magoou-me imenso e ele soube. Ele
decidiu provar-me que isso não voltaria a acontecer e foi assim que
a promessa surgiu. Era um facto sabido entre os rapazes que Elvis
não era capaz de guardar um segredo, mas se fosse algo realmente
importante, não contava a ninguém.
Nunca
mais me voltou a trair. Nem eu a ele.
Não sei
de onde é que aquilo surgiu ou se foi Elvis que a inventou. Mas
sabia-a de cor e dissemo-la várias vezes para eu a poder decorar.
Depois disso chorámos os dois como dois malucos e hei-de sempre
lembrar-me disso. Os dois primeiros versos eram assim... “É apenas
uma simples palavra, sabes, para entrar nem sequer precisas de
chave. Para mim que sei, que sei bem e para ti que não, nunca
poderás contar. Enquanto coloco a minha mão sobre o teu coração e tu
colocas a tua sobre o meu. A partir de hoje, as nossas mentes, as
nossas almas, os nossos corações interligar-se-ão.”
Penso que foi você que trouxe Jerry
Schilling para o grupo. Ainda o vê ou mantém algum contacto?
Vi o
Jerry no funeral do Richard Davis há dois anos atrás. Todos os
rapazes do nosso grupo eram extremamente próximos. Éramos como
irmãos. Alguns mais do que outros, mas ajudávamo-nos mutuamente,
custasse o que custasse. Era um elo muito forte e Elvis era o centro
de tudo. Todos nós o amávamos e tínhamos um trabalho a fazer. Alguns
faziam-no melhor do que outros, mas cada um de nós tinha um
propósito. Falei com Elvis sobre contratar Jerry. O Jerry sempre foi
simpático para mim, para a minha família, mãe e pai, e irei sempre
recordá-lo por isso.
Há histórias sobre Joe Esposito ser pago
tanto por Elvis como pelo Coronel Parker e que o Coronel Parker o
usava para espiar Elvis. Pode dizer-nos se isto é verdade?
Não sei
se o Joe era pago pelo Coronel. Mas o Coronel tentava obter
informações de nós todos. O Joe era capaz de tolerar o Coronel
melhor do que alguns dos outros.
Qual é a sua opinião acerca de Larry
Geller?
O Larry
Geller é porreiro. Não concordo com algumas das histórias que conta,
mas o Larry esteve presente por uns tempos. Ele parece lembrar-se da
importância que teve melhor do que alguns dos outros rapazes se
lembram. Mas para quê estragar o seu sonho? Tal como disse, todos
tinham um trabalho a fazer. Larry era o seu cabeleireiro.
Em
meados dos anos 60 Elvis parecia ter uma nova necessidade de
exploração ou interesse. Ler parece ter sido uma das suas maiores
preocupações. Qual era a sua opinião em relação à busca pessoal dele
e às visitas que fazia ao Parque de Auto-Realização?
Elvis
adorava ler. Tinha uma sede por aprender coisas novas. Ficava
deslumbrado com algumas das suas descobertas e certificava-se de que
nós todos tínhamos conhecimento delas. Passámos dias dentro de casa
a ler e a estudar. Elvis era muito inteligente. Elvis gostava do
Parque de Auto-Realização. Disse que lhe dava paz de espírito e, se
dava, bem, isso era bom. Ele merecia ter paz de espírito. Elvis
nunca mudou a sua crença em Deus ou Jesus Cristo. Falávamos imenso
acerca de religião. Mas ele também nunca criticou as outras
religiões. Elvis era uma pessoa com uma mente muito aberta.
É
verdade que em 1977 Elvis lhe pediu para se tornar no seu braço
direito e que considerou livrar-se do Coronel de uma vez por todas e
até de Joe Esposito? Elvis estava a falar a sério sobre mudar as
coisas?
Elvis
chegou mesmo a pedir-me para ser o capataz e falou sobre livrar-se
de uma data de gente. Sei que Elvis adorava o Coronel, mas também se
ressentia de ele o impedir de fazer certas coisas que ele queria
fazer. Uma delas era fazer uma digressão pela Europa. Ele falava
nisso imensas vezes e todos nós ansiávamos por esse dia.
Infelizmente, nunca viria a acontecer.
Os Anos no Cinema
Sempre
viajou com Elvis para fazer os filmes?
Viajei
com Elvis para quase todos os seus filmes. Falhei alguns por motivo
de doença na família. Eu, tal como a maioria dos rapazes, participei
em muitos dos seus filmes como extra. Elvis tentava certificar-se de
que todos nós trabalhávamos nos seus filmes. Gostava de ter os seus
rapazes por perto. Confiava em nós.
Que
recordações tem sobre o tempo em que trabalhava nos filmes? Foi
divertido ou foi aborrecido?
Com
Elvis, os filmes eram todos divertidos. Ele transformava tudo em
bons momentos. Toda a equipa o adorava e eles eram sempre muito
simpáticos para os seus rapazes (nós). Tivemos tantos momentos
memoráveis nos estúdios!!
Lembra-se de quando Elvis começou a queixar-se sobre a qualidade dos
seus filmes estar a ser cada vez pior?
Sim,
lembro-me quando ele se sentia desencorajado com a qualidade dos
seus filmes.
Dizia
que eram basicamente todos iguais. Queria papéis mais exigentes.
Mas os seus filmes faziam dinheiro e o Coronel não
queria mudar o formato.
Depois
de Elvis regressar da tropa e de você ter casado com a sua mulher,
Jo, como é que equilibrou os seus meses em Hollywood com o seu
relacionamento em casa? Elvis entendia isso?
Ser
casado às vezes não era nada fácil. Houve muitos dias e noites
solitários até a Jo começar a viajar connosco. Quando era bom, era
bom, mas quando era mau, era péssimo. No início nenhumas esposas
tinham permissão para ir, mas depois, quando a Priscilla começou a
andar para trás e para a frente, as esposas começaram a fazer o
mesmo. E continuaram nisso mesmo depois da Priscilla se ir embora.
Também levávamos os nossos filhos connosco, o que facilitava tudo
muito mais. E depois, em digressão, andávamos quase sempre todos
juntos. Elvis era mais compreensivo e também queria alguém com ele.
Alguma
vez visitou os estúdios para estar presente nas sessões de gravação
de Elvis? Alguma vez Elvis comentou consigo como achava as canções
dos filmes horríveis – ou viu algumas das suas más reacções em
primeira mão?
Sim, estive com ele em muitas das sessões de
gravação. A Máfia de Memphis estava com Elvis quase 24 horas por
dia, pelo menos um ou dois deles. E, no início, viviam com ele.
Sei que
esteve em Nashville para as sessões de Guitar Man com Jerry Reed.
Elvis fez algum comentário ou apercebeu-se que estava outra vez a
fazer música excelente, ou será que a sua ideia não mudou até chegar
às sessões no American Studios?
Elvis gostou das sessões de Guitar Man em Nashville
com Jerry Reed. Sempre achámos que fazia música fabulosa, fizesse
ele o que fizesse.
Toda a gente sabe da visita que os Beatles fizeram para ver Elvis
em casa, mas vocês esteve mesmo lá! Como foi essa noite para vocês –
e porque motivo não ligaram um gravador?!
Quando os Beatles vieram, estávamos todos muito entusiasmados
por ir conhecê-los. Mas não podíamos dar isso muito a entender a
Elvis. Elvis sempre gostou de ser o “Evento Principal.” Todas as
nossas esposas estavam lá. Os Beatles vieram até à casa de Elvis no
525 da Perugia Way, em Bel Air, e sentámo-nos todos a conversar.
Eles foram extremamente simpáticos. Tão
terra-a-terra.
Nunca
hei-de esquecer aquela noite e sei que Elvis gostou muito deles. Os
Beatles estavam entusiasmados por o conhecer e quando lá chegaram
estavam todos um bocado para o calados, assim como quem está a
tentar perceber como ele era. Elvis falou e disse, “Se vocês não vão
dizer nada, vou para a cama.” Fartaram-se de rir. Isso quebrou o
gelo e depois disso falaram durante horas. Foi uma boa reunião.
Depois
da queda que Elvis deu antes de Clambake e da concussão
subsequente, o Coronel exigiu que ele queimasse todos os seus livros
espirituais. Também tentou distanciar-vos a todos de Elvis, tentando
fazer de Joe Esposito o capataz. Será que pode descrever
sucintamente o que aconteceu e como se sentiu acerca disto, sendo
família?
Nessa
altura estávamos em Rocca Place. Estávamos na sala quando Elvis veio
ter connosco e nos disse, “Caí e bati com a cabeça. Acho que preciso
de ver um médico.” Tinha um grande galo na parte de trás da cabeça.
Por isso, quando caiu e fez a concussão, fiquei com ele noite e dia.
Na altura sabia que ele estava danado com o Coronel sobre algo, mas
ele nunca disse o que era. O Coronel tentou livrar-se de alguns dos
rapazes, mas isso não teve qualquer efeito sobre mim. Elvis é que
fazia as regras e tomava as decisões no que tocava a mim e à maioria
dos rapazes. Éramos todos escolhidos a dedo por Elvis e ele sempre
nos protegeu muito.
Há uma
data de porcarias a serem publicadas sobre Elvis ser racista,
algumas derivadas de uma citação falsa que foi publicada num jornal
nos anos 50. Pode esclarecer de uma vez por todas se alguma vez viu
Elvis a ser obviamente racista?
Elvis
era sulista e, como tal, por vezes brincava. Mas Elvis tinha todo o
tipo de pessoas a trabalhar para ele – negras, brancas, judias,
italianas, mexicanas. Gregas… Elvis olhava sempre para a pessoa e
não para a raça que pudesse ter.
As
Raparigas de Elvis
Você tem
uma idade muito próxima da idade de Priscilla, por isso, como era o
seu relacionamento com ela quando ela chegou pela primeira vez a
Graceland?
Quando Priscilla veio para Graceland pela primeira
vez, era um bocadinho tímida. Mas acho que sempre nos demos bem.
Como é
que a sua mulher, Jo, se dava com Priscilla? Eram boas amigas?
Quando foi a última vez que Jo viu Priscilla?
Jo e
Priscilla eram amigas íntimas nos primeiros tempos. Costumavam ir a
sítios juntas enquanto nós estávamos fora da cidade e quando vinham
até Los Angeles. Jo e eu ficávamos na casa de Elvis, com Priscilla.
Elas iam às compras juntas e eram muito amigas. Em Graceland faziam
muitas coisas juntas, juntamente com Patsy Lacker, a mulher do
Marty. Marty e Patsy também viviam em Graceland na altura. As três
ficaram muito amigas e a Jo e a Patsy ainda são amigas. Ficaram
amigas até hoje. No entanto, a última vez que a Jo viu Priscilla foi
depois de Graceland ter sido aberta ao público.
Poucas
pessoas devem ter ouvido falar do namorico de Priscilla com o cantor
Mylon Lefevre em meados dos anos 60. Pode falar-nos sobre isto, e se
foi algo mais que um namorico?
Pelo que sei, ela só o conheceu. Não sei o suficiente
para comentar sobre isso, pois nessa altura estávamos em Los
Angeles.
O que
achou de Ann-Margret, chegou a ver os dois juntos? Durante quanto
tempo durou o seu relacionamento? Ela era a companheira certa para
Elvis? Acha que Elvis chegou a pensar em deixar Priscilla para ficar
com ela?
A Ann-Margret era maravilhosa!
Não
era possível conhecer pessoa mais simpática. Era tão doce e linda e
Elvis adorava-a.
Tinha
uma alcunha para ela. A maior parte das pessoas pensa que é Rusty,
mas não. Ele tinha um nome especial pela qual a chamava. Todos
adorávamos a Ann. Acho que lhe passou pela ideia ficar com ela.
Como é
que você e Jo se entenderam com Linda Thompson? Ela foi boa para
Elvis?
Adóravamos a Linda Thompson. A Jo e a Linda eram
amigas, juntamente com a Patsy Lacker. As três entendiam-se às mil
maravilhas. Mas também a Linda dava-se bem com toda a gente. Foi
óptima para Elvis! Cuidou sempre dele enquanto esteve presente.
Alguma
vez tem notícias de Linda Thompson e ainda costuma encontrar-se com
ela?
Já há um bom tempo que não falo ou vejo a Linda. Ela
vive em L.A. e eu vivo no Mississippi, mas a Linda era óptima.
Acho que toda a gente gostava dela.
O que
acha de Ginger Alden?
Acha que
se teriam casado?
A Ginger sempre pensou que sim.
Mas
Elvis tinha uma forma de colocar as coisas. Ele dizia sempre “quando
for a altura certa.”
E depois
ria-se… a altura nunca era certa. Não acho que se tivessem casado.
Na Estrada
O Dr.
Nick é a pessoa mais famosa a culpar pelo problema de drogas de
Elvis, mas haviam muitos outros médicos.
Que
opinião tem do Dr. Nick, boa ou má?
O Dr. Nick tentou ajudar Elvis. Elvis era uma pessoa
com uma personalidade muito forte e fazia exactamente aquilo que
queria, na maior parte dos casos.
Na
minha opinião, o Dr. Nick era bom.
Quando ia em tournée com Elvis, qual era a sua principal função?
Basicamente apenas fazer-lhe companhia e estar com ele. Nos anos
finais, muitas vezes éramos só eu e ele. Eu era família e a pessoa
mais próxima dele. Houve noites em que passámos horas e horas no
quarto dele, só a conversar. Só eu e a Jo, com Elvis e a Linda.
Elvis
alguma vez lhe sugeriu a ideia de viajar além-mar? Acha que foi uma
oportunidade perdida?
Claro,
Elvis queria muito fazer tournées fora dos Estados Unidos. Mas o
Coronel punha isso sempre de lado!
Então
acha que o seu relacionamento com o Coronel mudou ao longo dos anos?
Acho que sim. No início eu admirava muito o Coronel.
Tinha um olhar muito forte e olhos azuis
prescrutadores. Via-se logo que era uma pessoa sob controlo. Quando
fiquei mais velho, vi que as coisas começaram a mudar entre Elvis e
o Coronel. Ele começou a embirrar com os rapazes, incluindo eu, para
obter informações da nossa parte. O Coronel sempre gostou de mim e
da minha família, mas a minha lealdade era sempre para com Elvis.
Claro que já conhecia o Coronel desde miúdo.
Acha
que ele estafou Elvis a trabalhar?
Elvis queria trabalhar, pois quando não queria
trabalhar, arranjava alguma desculpa para o não fazer.
Então, quais são os concertos dos quais
guarda excelentes recordações?
De
todos!
Os Anos
Finais
Visitou
Elvis durante o período em que não estava a trabalhar para ele e
esteve a cuidar do seu pai doente? Elvis podia falar consigo como
“família”?
Visitei
sempre Elvis quando ele estava em Memphis enquanto o meu pai esteve
doente. Também fui a Vegas vê-lo e sempre pudemos falar sobre tudo.
Falámos enquanto família e sobre a família. Acho que era por isso
que éramos tão amigos… Sempre tivemos a família e os primeiros anos
em comum. Elvis era uma forma de vida para mim, para a Jo e os
nossos dois filhos. Às vezes foi difícil, mas também tivemos imensas
oportunidades que nunca teríamos tido se não tivesse sido por Elvis.
Adorámos ter feito parte do seu mundo. Sentimo-nos abençoados por
termos estado com ele. E ele permanecerá para sempre nos nossos
corações.
Como era
da família, alguma vez conseguiu falar com Elvis sobre a sua tomada
de medicamentos? E o que dizia ele?
Elvis não queria falar sobre o seu consumo de
medicamentos, porque para Elvis, ele não tinha um problema. E também
nos fazia logo saber que era melhor metermo-nos nas nossas vidas.
Ele dizia a todos, “Sei o que é melhor para mim.”
Sabe
porque motivo Vernon não se impôs perante o consumo de drogas de
Elvis? Não teria sido ele a pessoa a quem Elvis teria dado mais
ouvidos?
Não sei porque motivo o tio Vernon não se esforçou
mais para fazer Elvis ver. Todos nós tentámos à nossa maneira, mas
Elvis não queria mudar nada nessa altura. E tinha de ser ele a
ajudar-se a si mesmo… e não o fez!
Em 1975
Elvis fez uma cirurgia plástica aos olhos no hospital. Acha que isso
mudou o seu aspecto e é verdade que tentou convencê-lo a não fazer a
cirurgia?
Sim, Elvis fez a operação e a Linda, a Jo e eu
ficámos com ele no hospital. Sim, tentei mesmo convencê-lo a não
fazer a operação. Ele não precisava daquilo, tinha um aspecto
óptimo. Como se pode melhorar a perfeição? Até foi o próprio médico
que lhe disse isso. Mas ele queria fazê-la e fê-la! Não acho que o
seu aspecto tivesse mudado assim tanto.
É óbvio
que Elvis depositava em si uma grande confiança. Consegue contar-nos
a história de ele se meter na cama consigo e Jo para partilhar os
seus pensamentos?
Muitas vezes metia-se na cama connosco em Graceland
quando passávamos a noite no quarto da Lisa, ou em tournée no hotel,
e na rolote na propriedade de Graceland. Por isso, sim, calculo que
ele depositasse uma grande confiança em mim, como eu também
depositava nele. Afinal, éramos três que ali estávamos a falar
durante horas sobre tudo neste mundo! Às vezes ele tinha um pesadelo
e vinha procurar-me para falar comigo e depois acabava por adormecer
na nossa cama connosco. Isso aconteceu muitas vezes e não nos
importávamos nada com isso. Sabia bem que ele me dissesse que
precisava de mim por perto.
Quando
se escutam as gravações das sessões feitas na Selva, uma vezes Elvis
parece feliz e outras vezes em baixo. Do que se recorda destas
sessões de gravação feitas em Graceland?
Acho que as sessões da Selva foram boas. Por algum motivo Elvis
decidiu tocar baixo em Blue Eyes Crying In The Rain e lembro-me de
Elvis se rir quando o J.D. atingiu uma nota bem baixa em Way Down.
Elvis divertiu-se nessas sessões.
Como foram as últimas férias no Hawaii?
Isso foi em Março de 1977.
Divertimo-nos imenso. Elvis pareceu estar a gostar muito.
Mas apanhou com areia num olho e ficou com uma infecção, por isso
tivemos de regressar a casa mais cedo que o planeado.
Que
opinião tem do livro de Red e Sonny, Elvis: What Happened?
Elvis falou-lhe sobre isso e tentou impedir a sua publicação?
Sim, li o livro do Red e do Sonny e contei a Elvis o
que lá estava. Ele sentiu-se aborrecido com isso. Falámos bastante
sobre o livro e ele não queria que fosse publicado.
Na
última noite da sua vida, você jogou raquetebol com ele e depois ele
sentou-se e tocou piano. Blue Eyes Crying in the Rain foi a última
canção que ele cantou ao piano? E ele estava bem disposto?
Elvis parecia estar lento e não na melhor das formas.
Tentava fazer as coisas e manter-se activo, mas não estava a
conseguir. Às vezes Elvis ficava mal-disposto, mas estava ansioso
pela tournée que aí vinha. Na sua última noite, Elvis, Ginger, Jo e
eu fomos para o edifício do raquetebol e jogámos um ou dois jogos.
Ele estava muito bem disposto, mas não chegou mesmo a jogar nenhum
jogo mesmo a sério. Na maior parte das vezes tentou foi atingir-me
com a bola! Sentámo-nos à volta do piano e sim, ele cantou Blue Eyes
Crying in the Rain.
Brincava e ria-se. Depois voltámos para casa.
Fui para
o andar de cima com ele e ajudei-o a preparar-se para ir para a
cama. Ele abraçou-me e disse, “Adoro-te e boa noite… Esta vai ser
uma tournée excelente!”
A Vida
Depois de Elvis
Larry
Geller refere que existe um testamento diferente – possivelmente
escrito à mão. Ninguém consegue entender porque motivo Elvis não lhe
teria deixado alguma coisa a si depois de todo o tempo que passou a
cuidar dele. O que sente em relação a isto?
Sim, eu
vi um testamento diferente. Elvis actualizou o seu testamento antes
de ir para o Hawaii em Março de 1977. Entregou-mo para que eu lho
lesse em voz alta. Depois de ele morrer a minha prima Patsy ligou-me
para me perguntar se eu sabia onde estava esse testamento.
O tio Vernon andava à procura dele. E disse-lhe!
Elvis tinha-me dito a mim e à Jo que enquanto
vivêssemos com ele cuidaria sempre de nós. E foi o que fez. E que se
alguma coisa lhe acontecesse, tomariam conta de nós da mesma forma.
Depois
de Elvis morrer você trabalho como Guia Turístico em Graceland
durante uns tempos. O que aconteceu ali e o que sente em relação a
Graceland agora?
Sim, ajudei a montar a sala dos troféus e fui
supervisor dos guias turísticos por uns tempos em Graceland. Mas eu
não via as coisas como as pessoas que estavam a cuidar daquilo viam
e eu não podia participar em algo que não me sentisse bem. Fui
despedido – tentei telefonar a Priscilla, mas ela nunca devolveu as
minhas chamadas. Uma vez cheguei a apanhar a Lisa, mas na altura ela
não detinha o poder sobre nada. Não tenho boas recordações de toda
esta experiência. Mas eles fizeram o que entenderam ser melhor.
Graceland foi a minha casa durante muitos anos e adorava-a enquanto
Elvis ali esteve. Era uma casa com uma grande sensação de pertença e
amor. Depois de Elvis ter morrido, deixou de ser uma casa, e essas
sensações também desapareceram.
O que
acha da forma como Priscilla lidou com a gestão do Património após a
morte de Elvis?
Acho que Priscilla fez um excelente trabalho. Fez
imenso dinheiro!
E sobre
a venda da parte operacional/marketing tha EPE para Robert
Sillerman. Qual é a sua opinião, acha que isto é bom ou mau?
Não sei nada dos negócios de Graceland e realmente,
nem me interessa. Tivemos Graceland durante os bons tempos e as
recordações que tenho dela ficarão comigo para sempre. Tenho tantas.
Toda a família, os fãs, os rapazes – não trocaria nada disso por
nada neste mundo. Lembro-me quando nos mudámos para lá pela primeira
vez. Eu achava que tinha ido para o Céu. A tia Gladys, os meus pais
e irmão, todos os meus primos, Elvis, todos os meus muito amigos –
divirtimo-nos tanto. O Natal era sempre incrível. Elvis adorava
Graceland e calculo que qualquer pessoa que tenha ali passado algum
tempo, também a adorou.
Muitos
fãs sentiram-se aborrecidos por você não ter sido envolvido no
probjecto Elvis By The Presleys. Eu acho que deveria ter sido
intitulado Elvis By The Beaulieus. Alguma vez lhe falaram do
projecto e o que achou do produto final?
Bem, tal como o Marty Lacker e eu dissemos quando
falámos sobre isso, calculo que toda a gente queira ser a pessoa
mais importante, mas não se pode contar uma história verdadeira
sobre Elvis e Graceland sem incluir toda a gente envolvida. Quer se
goste das pessoas envolvidas ou não! Os factos são factos e o facto
mais verdadeiro é que muitos de nós fomos deixados de fora. Acontece
o mesmo quando algum dos rapazes diz alguma coisa. Acho que toda a
gente que esteve lá e representou uma parte do mundo de Elvis
deveria ser apresentado para tornar tudo mais preciso – ou então,
fica sempre a faltar qualquer coisa. Tal como falámos, houve sempre
muita inveja, mas não sei porquê, porque toda a gente que ali estava
ocupava um lugar especial. Mas cada pessoa conta agora a história
como gostaria que tivesse sido e não talvez como tivesse mesmo sido.
Há
sugestões de que já não fala com Lisa Maria há vários anos, isto é
verdade? Se assim é, deve entristecê-lo – o que provocou isto? Para
um estranho parece irreal, visto que passou tanto tempo com o pai
dela.
Não, já
não falo com a Lisa há muitos anos. Não sei bem porquê. Mas depois
de ter sido despedido de Graceland, perdi o contacto com a Lisa e a
Priscilla. Deve parecer louco, visto que passei a maior parte da
minha vida com Elvis, antes de ele ter morrido.
Quando você se junta com os rapazes para
falar sobre os velhos tempos, tal como fizeram em All The King’s
Men ou para o programa mais recente da BBC The Elvis Mob,
como é estar sentado num bar da Beale Street com quatro de vocês a
partilhar recordações? Sentem-se como se fosse há 28 anos atrás,
ainda é como uma “família”?
Quando
nos juntamos todos (os rapazes), é óptimo. Um de nós começa a dizer
algo e o resto já sabe o que vai ser dito a seguir. Todos os rapazes
eram como família. Passámos mais tempo juntos do que com as nossas
famílias. Conheci-os a todos desde que era miúdo e ainda permaneço
próximo da maioria.
Vejo
Marty com mais frequência. Sempre fomos amigos, a Jo e a Patsy e os
nossos filhos cresceram juntos.
O Lamar,
o Sonny e o Red, conheci-os toda a vida. Vejo alguns dos outros uma
vez por outra. Sinto saudades daqueles que já não estão connosco e
sinto saudades dos tempos que vivemos. A maior parte de nós tinha
mulheres e filhos e éramos como uma grande família. Viajámos,
trabalhámos e vivemos juntos durante muitos anos. A maior parte de
nós permanece amigos até hoje e tudo isto por causa do nosso amor e
respeito por Elvis.
Finalmente…
Teria
feito alguma coisa de forma diferente?
Tem
alguns arrependimentos?
Acho
que teria feito algumas coisas de forma diferente.
Mas,
acima de tudo, fizemos o que tínhamos de fazer naquele tempo e,
acima de tudo, somos melhores por isso mesmo. Tenho alguns
arrependimentos. Mas não teria perdido nada do que vivi por nada
deste mundo.
Qual é a sua recordação favorita de Elvis,
a que sempre lhe traz um sorriso ao rosto?
Oh, não seria capaz de escolher uma recordação
favorita. Tenho tantas.
Ficaria
aqui para sempre só para responder a isso! Adorava o tempo que
passávamos em casa, quando nos juntávamos todos para nos divertir e
fazer as coisas malucas que fazíamos. Tudo o que fizemos se destaca!
Sonha
com Elvis?
Ele
ainda fala consigo?
Às vezes sonho com ele e ele fala comigo a toda a
hora de muitas maneiras. Não há um dia que passe em que não pense
nele e em algo que ele me disse. E isso provoca-me um sorriso ou uma
lágrima. Seja qual for, sinto-me grato!
Muito
obrigado por retirar tempo da sua vida ocupada para responder a
todas estas perguntas, sabe que os fãs apreciam muito este seu
gesto. É um verdadeiro sobrevivente e um autêntico cavalheiro.
Muito
obrigado por me ter feito as perguntas!
Fonte:
EIN. |