|

Legendas: Elvis com Joe Guercio, no Las Vegas Hilton, em
1972; Joe Guercio, hoje.
Joe Guercio foi maestro da banda de Elvis durante os
anos 70.
Fale-nos do seu primeiro encontro com Elvis.
Bem, o meu primeiro encontro com Elvis foi uma
reunião de pré produção. Recebi um telefonema de Tom Diskin, que era
associado do Coronel, e ele disse-me que estavam a pensar em me
utilizar como maestro no espectáculo de Elvis Presley. Já alguém me
tinha precedido no primeiro concerto. Perguntou-me o que é que eu já
tinha feito, etc, etc. E quando eu lhes disse o que já tinha feito,
já eles me tinham investigado por completo. Sabiam que tinha estado
com Eydie Gormet e Steve Lawrence, que tinha feito alguns
espectáculos da Broadway e todo o meu passado na televisão. E fui
até L.A. para me encontrar com eles. E a primeira coisa escalada
para fazer era That’s The Way It Is, o filme.
E demo-nos logo todos bem. Eu nunca tinha conhecido
Elvis. Eles já tinham estado a ensaiar noutra sala há três dias. E
estavam para lá a escolher músicas há três dias. A parte dos
instrumentos de cordas, e que mais ia acontecer?
Porque os arranjos já tinham sido escritos. Tinham lá
tudo.
Glen escreveu grande parte deles, bem como outros
compositores, mas Glen fez a maior parte. E depois o Joe Esposito
disse que Elvis tinha descido e tinha começado a cantar. E eu
limitei-me a ficar ali sentado, a tentar sentir-me fascinado com
aquilo. Depois, na primeira oportunidade, Joe Esposito diz, “Devia
conhecer Elvis.”
Por isso, não sei. Eu nunca tinha sido fã de Elvis.
Essa era a parte difícil. Eu tinha origem num tipo de
música completamente diferente. Não era mesmo nada um rocker and
roller. Mas a partir do momento em que lhe disse olá, o carisma
foi surpreendente.
E quando cheguei ao final do primeiro ensaio, acho
que nesse espectáculo fizemos
Just Pretend
e outras coisas do género, nunca me tinha apercebido que ele cantava
assim tão bem. Era um cantor fantástico. A minha mulher adorava-o,
mas eu nunca tinha sido fã de Elvis. Mas foi nesse dia que comecei a
ser. Demo-nos logo bem, foi isso que aconteceu.
O que lhe despertou mais a atenção em Elvis assim
pela primeira vez?
Ele era autêntico.
Não havia nada de falso naquele homem. Era mesmo
autêntico. Era assim mesmo e isso era espantoso.
Conte-nos como foi a primeira vez quando foi em
tournée com ele.
Bem, o nosso relacionamento nunca foi do género,
“Olá, camarada”, já que muitas pessoas gostam de pensar que era
assim. Mas não era assim. Já disse isto antes, havia grandes
diferenças… quando ele estava dedicado ao seu espectáculo, havia o
grupo dele. Mas ele tinha um grande respeito por todos nós sobre o
palco.
Também estava rodeado dos melhores. Tinha o Ronnie
Tutt, não havia nenhum melhor. Jerry Scheff era o melhor. Todos eles,
James Burton, Glen Hardin.
E ele apreciava bastante o facto de eles estarem lá.
E ele sabia do que eles eram capazes. Era um tipo diferente de… Será
que isso faz sentido?
Para mim faz.
Era uma vibração diferente. E então ele falava com os
outros grupos, outra pessoa do seu grupo imediato e havia logo ali
um tipo de vibração diferente. Porque eles trabalhavam para ele.
Estávamos a falar sobre a banda de Elvis ser a
melhor.
Bem, veja o que eles conseguiram fazer. E veja de
onde todos eles vieram. Todos eles vieram de sítios que, como sabe,
estávamos todos envolvidos no mundo da música.
Não eram apenas músicos. Eram mais que músicos. Eram
dos melhores.
E fazer digressões com estas pessoas, sabe, púnhamos
tudo a mexer.
Todas as noites era um acontecimento.
Fale-nos de quaisquer incidentes engraçados que
tenham acontecido entre si e Elvis.
Oh, a história dos berlindes. Isso remonta aos
primeiros dois dias do compromisso. Sabe, naquele tempo nunca era um
espectáculo fixo. Ele era capaz de lhe apetecer cantar uma canção
qualquer e cantava-a. E era óptimo porque toda a gente que estava
por trás dele pertencia ao seu grupo imediato. E esses eram Ronnie e
toda a secção ritmo. Ele dizia, quero isto e aquilo e eles começavam
logo a tocar. Bem, podemos dizer isso a cinco homens.
Mas eu estava para li sentado com 32 músicos. Sabe?
Mesmo quando eu estava mesmo a começar.
Por isso, havia sempre algum reboliço. Vamos fazer
isto e bum.
E eu parava e… ou então a orquestra dele começava a
tocar a introdução e a fazer o espectáculo e eu dizia de súbito, “Cá
vamos nós, rapazes.
É em Dó.” E eu começava naquele tom.
Nas primeiras vezes que fiz isso, ele chegou a
virar-se para reconhecer o meu gesto porque, sabe, não o deixávamos
desamparado. Atirávamo-nos para a piscina, sempre um bocadinho
atrasados, mas atirávamo-nos para lá com ele.
Houve alguém que veio ter comigo e me perguntou se eu
gostava de trabalhar como maestro para Elvis Presley. Eu disse, “É
como um berlinde que desce aos pulos por uma escada, sabe, tink,
tink, tink.” Sabe?
É uma coisa desse género.
Foi isso que disse. E no dia seguinte, tentei abrir a
porta do meu camarim.
E ouvi um barulho estranho. Acendi as luzes.
E havia berlindes espalhados pelo chão inteiro. Tinha
berlindes em todos os bolsos da minha roupa. Tinha o lavatório cheio
de berlindes até cima. Pude ver que ele deve ter mandado todos os
seus escravos na noite anterior comprar todos os berlindes do mundo.
E o sinal no espelho dizia, “Segue o berlinde. E.P.”
Isso foi bom.
Foi diferente.
Quase que me conseguia imaginar a orientar uma
orquestra assim.
Eu deveria ter dito que trabalhar para ele era como
seguir notas de dólar a voar pela janela. Não teria sido fantástico?
Eu devia ter pensado nisso.
Lembra-se de muitas das celebridades diferentes que
Elvis apresentava, presentes nos públicos?
Oh, sim. Há histórias engraçadas. Sammy Davis vinha
muitas vezes.
As noites de estreia eram sempre algo e tanto,
pessoas como Cary Grant que sempre me espantava, visto que eram
actores de cinema. Mas muitas mulheres lindas estavam no público.
Sammy era um grande fã.
Tom Jones era um grande fã. Ele respeitava imenso Tom
Jones. Redd Foxx. Quando Elvis estava na cidade, nunca era só um
concerto. Era um acontecimento. Sabe? Era uma experiência teatral.
Mas também era divertido.
E quando ele se dedicava, era capaz de pôr milhares
de pessoas a comer da sua mão.
Houve algum momento especial com Elvis que se
destaque na sua memória?
Não, há alguns momentos, mas prefiro falar sobre os
momentos passados em palco. Dois dos pontos altos de sempre foram na
primeira noite em que tocámos An
American Trilogy em Atlanta, na Geórgia.
Já a tínhamos tocado no Hilton. E correu muito bem.
Até já a tínhamos gravado num álbum e tudo. Mas
estando nós no coração da Confederação, quer dizer, em Atlanta, na
Geórgia, fomos até ao Omni.
Era suposto darmos dois concertos. Mas acabámos por
dar quatro. E esgotaram todos. O Omni sentava 18.000 pessoas, sabe?
Hoje em dia há um espectáculo que vai para a estrada.
Eles fazem um concerto e ficam todos cansados. E têm quatro dias
para descansar de intervalo até ao próximo concerto. Nós fazíamos
quatro espectáculos em dois dias e às vezes cinco espectáculos em
três dias. Mas estava a contar. Elvis começou a cantar
An
American Trilogy, que fizemos mais para o final do
espectáculo. E James começou a introdução e Elvis cantou, “Oh, I
wish I was in Dixie”. E agora quero contar-lhe uma coisa. Os gritos
começaram a aumentar. Sabe, começaram a gritar, as pessoas começaram
a levantar-se e todas a gritar. E todos os pelinhos, quer dizer, foi
inacreditável… quer dizer, você entende, ficámos para ali durante 30
segundos, o que pode parecer um ano, até eles pararem, abrandarem e
podermos continuar a cantar/tocar a canção.
A outra noite que lembro muito bem foi em Madison
Square Garden. Quando ele surgiu sobre o palco, havia tantos
flashes de máquinas fotográficas naquela arena, que houve
momentos em que a arena ficou totalmente iluminada. E nós começámos
com as luzes totalmente apagadas. E foi Nova Iorque que o pediu. E
quando Nova Iorque quer alguém, é porque quer mesmo. Você sabe, Nova
Iorque tem… É outro mundo.
E o outro ponto alto da minha vida com ele foi quando
fizemos Aloha From Hawaii. Disse à banda antes de começarmos,
disse assim, “Esta é a primeira vez que um espectáculo vai passar na
televisão para todo o mundo.” E disse, “Somos os primeiros a fazer
isto.” Foi um grande momento.
Tem outros momentos que recorde de Aloha From
Hawaii?
Oh, Aloha From Hawaii foi simplesmente… Bem,
as pessoas havaianas… acho que porque ele lá fez uns poucos de
filmes, foram fenomenais. Mas a excitação de sermos os primeiros,
sabe? Quando dei o sinal para começarmos era como se fosse a
primeira vez que o fazia. E isso estava a ser visto em todo o mundo
na televisão. Foi uma estreia mundial. Quer dizer, e que estreia, se
é que me entende.
Tivemos uns poucos de momentos divertidos sobre o
palco. Ele adorava cantar
It’s Now Or Never.
E eu disse-lhe numa noite, “É uma canção italiana, pá. Porque é que
não a cantas com a letra certa?
E sabes bem que é O Sole Mio. Não é
It’s Now Or Never.”
E então divertimo-nos um pouco com isso. De cada vez
que ele cantava
It’s Now Or Never,
obtinha sempre aquele olhar dele de lado.
Agora canta
It’s Now Or Never.
Você sabe, eh-eh-eh, esse tipo de coisa.
Numa noite peguei numa panela vazia… e pus um chapéu
de cozinheiro. Eu tinha uma panela e estava sentado por trás de
Ronnie Tutt. Isto é humor entre os elementos de uma banda.
Houve alguns momentos no espectáculo com Sean Nielson
durante O Sole Mio?
Não, eu estava demasiado ocupado a ver como o Sean se
vestia naquele tempo. Mas se alguém algum dia me dissesse que isto
iria continuar como continuou. Sabe, já passaram anos e estamos aqui
sentados a falar sobre Elvis Presley. Sabe, é espantoso. E agora vou
em digressão com Elvis The Concert, o que é ainda mais
espantoso. Lá vamos nós. O público dele na Europa, 15 a 20 por cento
são pessoas com menos de 30 anos. Há por aí algo de totalmente novo
a crescer.
É quase como se Elvis andasse em tournée consigo
outra vez.
Bem, andamos mesmo em tournée com ele. Sim. É um
grande espectáculo. Já o viu? É mesmo bom.
Tem algumas recordações particulares do CBS TV
Special?
Do CBS TV Special? Esse não foi um dos seus
melhores especiais. Foi o Dwight e o Gary que fizeram este
espectáculo e foram fenomenais como realizadores e produtores. Não,
não gostei mesmo nada desse espectáculo. Foi como se fosse o final.
Sabe? Estávamos mesmo a chegar ao final de tudo.
Lembra-se quando ele chegou por trás de si e lhe deu
umas palmadinhas na cabeça?
Bem, você sabe, naquele tempo havia alguém a quem dar
palmadinhas.
Quais são as suas impressões sobre o Coronel Parker?
Nunca tive nenhum problema com o Coronel. De facto,
nem sequer estava muito envolvido com o Coronel. E nunca tive
problemas com ele. Comecei a conhecer melhor o Coronel depois de
Elvis ter morrido do que antes. Eu moro em Buffalo, em Nova Iorque.
E os meus pais, quando estávamos a trabalhar em Buffalo,
convidávamos o Coronel para nos visitar…. E se essa fosse a primeira
paragem da sua viagem, o Coronel diria, “Vocês vão partir connosco
dois dias mais cedo.” E eu dizia, “Oh, isso é fantástico, sabe?
Uma forma de começar a tournée.” E iam até lá buscar-me.
Eu era director musical no Hilton. Foi assim que tudo começou.
Eu trabalhava para o Hilton. E o Coronel fez as
coisas de modo a que eu pudesse continuar a trabalhar para o Hilton,
mas quando era preciso sair, fazia o que eles queriam. O que quer
que fosse que o Coronel queria, ele obtinha. Porque era Elvis que
estava por trás das coisas. E ele dava a ganhar muito dinheiro ao
hotel naquele tempo.
Você disse que aprendeu imenso com o Coronel.
Sim, a partir da forma como ele fazia as coisas. Ele
esgotava sempre todos os bilhetes dos concertos. Tínhamos três
concertos marcados, mas ele nunca deixava ninguém saber que haviam
três concertos marcados. Um dos concertos esgotava, depois esgotava
um segundo e até um terceiro.
Ele sabia como movimentar o produto. Você sabe, o
merchandising naquele tempo era imenso… haviam imensas t-shirts.
E quando as começaram a vender? Lembro-me de um incidente, em que
imensos produtores piratas nos andavam a seguir, sabe? E então toda
a gente queria mandá-los prender, pois vendiam mais t-shirts do que
nós. E então o Coronel mandou chamar estes fulanos. Eram todos de
Nova Iorque e Long Island. O Coronel mandou-os chamar e empregou-os,
fez com que eles fizessem parte do negócio e eles começaram a vender
produtos como ninguém acredita.
De outra vez estávamos em Atlanta. E sei que
acabaram-se os cachorro-quentes e era um Domingo. Quando me
apercebi, tinham encontrado um armazém Walgreens ou algo parecido e
os rapazes andavam a pôr crachats naquelas coisas, sabe,
“Elvis Agradece” ou lá o que quer que escreviam neles. E não haviam
mais cachorro-quentes. Só conseguiram um monte de ursos de peluche.
E andavam a vendê-los. E então acrescentámos a canção Teddy Bear ao
espectáculo.
Super souvenirs de Elvis.
“Super souvenirs de Elvis.”
Chegou alguma vez a falar com Al Dvorin? O Al era
algo e tanto. Espantava-me sempre. Ele aparecia sempre no final
porque vendia-os na bilheteira, onde eram vendidos. Ele entrava e o
Al é vegetariano. E o Elvis bebia sumo de maçã, mais sumo de maçã,
mais sumo de maçã. Quer dizer, até a um ponto que o Al só dizia,
“Meu Deus, tanto sumo de maçã.” De cada vez que ele entrava num
restaurante, era com o Glenn. Levantávamo-nos sempre muito tarde,
mais do que o resto do pessoal. E ele também aparecia muito tarde. E
nós dizíamos, “Espremam um pomar,” porque o Al Dvorin tinha cabaço
de entrar. “Senhoras e senhores, espremam um pomar.”
Do ponto de vista pessoal, que significado tem Elvis
para si?
O que significa ele para mim? Vejamos. Pessoalmente,
ele significa imensas boas recordações. É isso. Pessoalmente, o que
ele fez por mim foi colocar-me em contacto com pessoas que nunca
teria conhecido, visto que vêm de variadíssimas camadas sociais. Ele
juntou pessoas como as Sweet Inspirations, os Stamps, sabe, quer
dizer, éramos uma família. Ele afastava-se de tudo quando estávamos
com ele. Mas ele pôs-me no palco com 20 das pessoas mais
profissionais com quem jamais trabalhei. E as recordações e
divertimento que tivemos são mais que muitos. Nunca teria
compreendido o Sul dos Estados Unidos sem Elvis Presley na minha
vida.
Sabe, cresci num mundo totalmente diferente. São as
recordações.
São mesmo as recordações. E ele abriu-me a mente para
imensos tipos diferentes de música. Aqui estou eu, com a idade que
tenho e estou a ganhar a vida a tocar rock’n’roll. Conheço muitos
amigos que estão à espera que as grandes bandas voltem a estar na
moda. Mas isto fez-me ver as coisas de outra forma.

Legenda: Elvis com Joe Guercio, no Las Vegas Hilton, em 1972.
Então, ele mudou a sua vida de certas formas.
Oh, sim, ele mudou muito a minha vida de imensas
formas.
Você disse que as Sweet Inspirations costumavam
ensaiar aqui?
Oh, sim. Bem, é na sala lá de cima, a sala da música.
E elas desciam. Sentávamo-nos. Fazíamos medleys
juntos.
Eram elas que abriam o espectáculo aqui em Vegas. As
raparigas paravam tudo. Era algo digno de ver. Uma vez fizemos um
espectáculo com um medley de Billie Holiday quando o filme estava na
moda. Fizemos um medley com músicas de Stevie Wonder. E outro com
músicas de Elvis. Sim, fizemos isso tudo.
E então que tal é voltar a trabalhar com toda a gente
outra vez?
Você não gostaria de regressar 25 depois para fazer o
que fazia exactamente há 25 anos com as mesmas pessoas? É como se…
hoje falei com um senhor de um jornal de Zurique. Porque vamos fazer
uma tournée pela Europa. E ele perguntou-me, “E então, qual é a
sensação?”
E eu disse, “A sensação?” E ele, “De regressar.
Teve de se reajustar?” E eu respondi, “Regressámos
aos palcos depois de termos estado mais de 20 anos afastados. Quando
estávamos a tocar a segunda canção, sentimo-nos como se há três
noites atrás tivéssemos acabado de dar aquele concerto em
Indianapolis.” Foi fácil voltar a começar.
E o que tem a dizer do concerto no Hilton? Houve
alguma tensão ou algo do género?
Na noite em que aconteceu pela primeira vez? Bem,
acho que só posso dizer que me senti muito feliz por não estar a
usar o fato branco.
Isso posso eu dizer. Mas deu que fazer aos
guarda-costas.
Podiam estar ali a fazer o que tinham de fazer. E era
tipo ameaça de bombas, sabe. Muitas das ameaças não passavam disso.
Mas diziam que tinha havido uma ameaça de morte. Eu nunca me ralei
com isso. Não me afectou em nada.
Quando Elvis estava sobre o palco, você era de alguma
forma capaz de captar as canções que ele ia começar a cantar?
Começava tudo de uma certa forma e sabíamos. Mas de
vez em quando, ele dizia o título de uma canção. Por isso, o que eu
fazia era uma lista das canções. E depois ao lado… eu tinha
extensões de madeira contraplacada perto dos suportes dos violinos.
Era desta largura e púnhamos as músicas assim para as podermos
encontrar. Porque não era possível ter muitas pautas num concerto.
Se íamos dar um espectáculo para dançar, todas as pautas estavam
numeradas, tipo 42.
Mas depois fazíamos a 63. Nessa altura, era assim que
fazíamos.
Estávamos a fazer o nosso espectáculo e se ele
pedisse uma canção, eu tinha sempre umas 12 pautas adicionais
guardadas de lado. E quando ele pedia algo que não estava na lista,
lá íamos nós.
Onde estava quando soube que Elvis morreu?
Oh, esse foi um dia estranho. O Marty, o meu baixista
e baterista era como se fosse um assistente de maestro, sabe. E ele
era capaz de orientar o espectáculo. Costumávamos sempre sair com a
mesma banda. Por isso, fui eu que fiz todos os espectáculos da
Ann-Margret que deu aqui naquele tempo. Ela estava para chegar e ela
ia estrear no dia em que ele ia estrear em Portland, no Maine. Por
isso, podia perfeitamente trabalhar para a Ann-Margret na estreia
dela e dois dias depois trabalhar na estreia de Elvis. E mal
organizámos o espectáculo dela, tive de me ir embora, porque a banda
vinha do exterior de Vegas, vinham de avião de L.A. E tínhamos um
avião alugado à Holiday Airlines. Organizei toda a banda, os
instrumentos de sopro e precursão.
Nessa noite a Ann-Margret ia estrear. Eu estava com a
minha mulher.
E fomos até ao centro commercial Boulevard Mall,
porque eu queria comprar um laço. Entrei na loja e uma rapariga
disse para outra que Elvis tinha morrido. Eu disse, “O que quer
dizer com isso, de Elvis estar morto?”
Ela disse, “Oh, sim. Acabou de dar na rádio.
Foi encontrado morto, blá, blá…” Tentei ligar para o
Hilton. E lá acabei por conseguir falar com Bruce Bankey e disse, “O
que se passa?” Ele disse, “Sim, vem daí que já te ponho ao
corrente.” Fui para o Hilton e descobri o que se tinha passado. E
isso… fazer aquele ensaio para a Ann foi… Porque a Ann e Elvis eram
amigos íntimos. Até tinham feito um filme juntos. E fui de avião…
assisti ao funeral.
O Jackie foi ter comigo a L.A. Entrámos num avião e
fomos para Memphis. E depois chegou a Ann-Margret e ela tirou o dia.
E a noite também. E foi assim. Regressámos. Ela tinha
alugado um avião.
Eu regressei com ela. Mas as pessoas dizem, “O que é
que sentiu?
O que é que sentiu? O que é que sentiu?”
E a minha teoria, se é que existe semelhante coisa, é
que algumas pessoas não nascem para chegar a velhas, sabe. E já
disse isto antes. Não consigo imaginar a Marilyn Monroe uma mulher
velha. E não consigo imaginar Elvis ou James Dean ou Rudolph
Valentino velhos, ou quem quer que seja que queiramos colocar nessa
categoria. Acho que é isso. Foi o que teve de ser e foi assim.
E não orientou nada no funeral de Elvis?
Oh, sim. Orientei os Blackwood Brothers e o J.D. e os
Stamps, que estavam por trás do caixão, a cantar How Great Thou Art.
E foi muito triste, sabe, realmente muito triste. Porque tínhamos a
sensação que ele era um verdadeiro rapaz do campo. E foi assim.
Depois de todos estes anos desde que ele morreu, o
que acha que é tão único acerca de Elvis que o faz ser diferente de
todos os outros artistas?
Acho que ele foi o modelo original, Elvis Presley.
Não havia nada de Broadway em Elvis.
Ele era o que era. Era autêntico. E marcou o ritmo.
Levou-nos até a um lugar.
Deu-nos um novo ritmo e uma nova forma de caminhar
nesta área de negócio. Isto faz sentido para si? Ele deu início a
todo um conjunto de coisas novas.
Toda a gente imita Elvis. Elvis não imitava ninguém.
Ele limitou-se a pegar em algo que estava do outro
lado da cerca e a trazer esse algo consigo, por forma a que as
outras pessoas pudessem entender o que era.
Fonte: EWJ.
|