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Sonhos Realizados - Visita a Tupelo e a Memphis
Célia Carvalho, Agosto de 1997
Fotos de Sandra Santos.

celiamcarvalho@gmail.com

Célia, na casinha onde Elvis nasceu, em Tupelo.
1997 - Célia, aos portões de Graceland.

1997 - Célia, aos portões de Graceland. Célia, na casinha onde Elvis nasceu, em Tupelo.

Há muito que tinha um sonho... o sonho de ver Elvis à minha frente, poder falar com ele, ouvir a história contada pela boca dele. Bom... mas isso era mesmo só um sonho. Sabia que isso jamais seria possível. Então, passei a sonhar se seria possível visitar a sua casa, o local onde nasceu e todos os outros locais relacionados com ele. Era possível. Bastava ter muita força de vontade e poupar com muito afinco. Sim, ia ser difícil, pois no ano anterior tinha comprado um apartamento sozinha e não sabia se o dinheiro ia chegar. Felizmente, foi suficiente...! E eu queria ir no 20º. Aniversário da sua morte. Sabia que ia ser algo de inesquecível e muito grandioso. 

As minhas companheiras de viagem foram a Sandra Raquel e a Lu Ribeiro, duas pessoas que conheci por intermédio do nosso clube português. Quando descobrimos que tínhamos o mesmo sonho e as mesmas intenções, decidimos fazer a viagem em conjunto. Para mim, tudo começou a partir de Novembro de 1994, quando comecei a poupar para a viagem de Agosto de 1997. Inscrevi-me na Agência de Viagens Arena Travel (a agência que trata das viagens para o clube de fãs inglês) em 1995 e continuei a manter-me em contacto com eles para tratar de tudo o que era necessário para a minha viagem. Em 1996, a Sandra e a Lu juntaram-se-me e eu comecei a tratar também das suas viagens. Depois de muitas peripécias em conjunto, o tempo foi passando e o dia tão desejado estava cada vez mais próximo - esse dia era o dia 8 de Agosto.

Índice
8 de Agosto de 1977 - Sexta-Feira
Chegada da Lu do Algarve
Entrevista na TVI
Partida para Londres
Chegada a Londres
9 de Agosto de 1997 - Sábado
Aeroporto de Gatwick

Partida para Atlanta
Chegada a Atlanta
Partida para Memphis
Chegada a Memphis


8 de Agosto de 1997 - Sexta-Feira

Chegada da Lu do Algarve


Este dia começou muito cedo, pois a Lu (que tinha viajado do Algarve no dia anterior, de comboio) vinha ter comigo à minha casa. O marido dela vinha deixá-la e vinha também buscar a minha bagagem. Os motivos eram basicamente dois: matar tempo juntas antes de partir para Londres e não termos de carregar com a bagagem por Lisboa inteira antes de partirmos. Mas tinha também surgido um imprevisto - desta vez, agradável.


Entrevista na TVI


A TVI - que a Lu tinha contactado várias vezes pelo telefone e a quem eu havia enviado dois faxes a informá-los da nossa viagem para a terra de Elvis - tinha-me telefonado para o trabalho no dia anterior. Os meus colegas informaram-nos que eu estava de férias e eles telefonaram-me para casa. Era um rapaz simpático, o Nuno Batista, que queria entrevistar-me na minha casa antes de partir para a Inglaterra. O meu pai tinha um ataque se isso acontecesse. A Lu, claro que estava pronta para ele a entrevistar, fosse onde fosse. Telefonei à Sandra, que me disse que não podia estar presente, pois ainda tinha de ir ao banco. Telefonei à Ana Cristina Henriques, a perguntar-lhe se podia tirar a manhã de Sexta-Feira para ficar em casa e sermos todos lá entrevistados. A TVI queria entrevistar-nos às 10.00h da manhã, a tempo de poderem dar a notícia às 13.30h. A Ana não podia estar presente e o Paulo também não. Sendo assim, ela emprestou-me a chave da sua casa e eu e a Lu fomos para lá e aguardámos a chegada da TVI. Chegaram mesmo na hora e a entrevista decorreu normalmente. Eles queriam que cantássemos, mas sem a nossa rapaziada do costume, não me sentia à vontade! Que mania todos pensarem que por sermos fãs de Elvis, sabemos cantar...! Às 11.00h dissemos adeus à TVI e fomos logo para Lisboa, onde nos devíamos encontrar com os pais da Sandra e a Sandra, bem como com o marido da Lu, para almoçarmos todos num restaurante da Feira Popular antes de irmos embora. Estava a chuviscar. Nesse dia estávamos a três com a T-Shirt vestida que o nosso clube mandou fazer para celebrar o aniversário e chamávamos um pouco a atenção. Depois de nos termos encontrado, fomos para o restaurante, comemos uma bela refeição e tínhamos a televisão na TVI para ver se davam a notícia prometida. A Sandra estava desejosa de ver o que diziam e de nos ver na televisão...! Quando finalmente surgimos, ela foi a correr para perto do aparelho televisivo para ouvir tudo o que diziam, chamando a atenção de várias pessoas presentes no restaurante. Eles repararam que a T-Shirt dela era igual às que estavam na televisão (minha e da Lu) e começaram a olhar à sua volta. Claro que ficaram espantados por verem que éramos mesmo nós que estávamos na televisão naquele momento...! A Ana e o Paulo já tinham tomado providências para gravar tudo o que passasse na televisão relacionado com Elvis, por isso estávamos descansadas.


Partida para Londres


O nosso avião para Londres era às 16.55h. Às 15.00h lá fomos nós para o aeroporto, entusiasmadas e cheias de expectativas. Já no aeroporto, chegou uma amiga da Sandra para se despedir - a Lena - e fiquei realmente espantada quando me virei e vi a Ana e o Paulo. A Ana tinha-me dito que ia ao dentista nessa tarde e eu tinha acreditado. Afinal, tinham vindo despedir-se de nós. A Lena tirou várias fotografias de todos nós, principalmente da Lu com o seu magnífico ramo de 20 rosas vermelhas que planeava colocar no túmulo de Elvis. Ficámos ali por um bocado, mas depois despedimo-nos e fizemos o check-in. Entrámos no “nosso” avião da British Airways, a caminho de Londres-Gatwick. O nome do avião era curioso - Mistress Quickly. Toda a gente se metia um pouco connosco por estamos com t-shirts iguais e também com crachats iguais. O pai da Sandra tinha feito uns crachats especiais e únicos com base num desenho que eu tinha feito. Eram, portanto, únicos. Muita gente pensava que nós íamos participar no grande concerto que ia haver em Wembley. Mal eles sabiam...! O vôo decorreu um pouquinho atribulado. Digamos que os copos e os pratos nas mesas saltavam um bocadinho, devido aos poços de ar. Tivemos de ir quase sempre com o cinto atado. Comecei a pensar se iria ser difícil de encontrar a Jeane no aeroporto. Mais uma vez ela decidira vir encontrar-se comigo, viajando, para o efeito, desde o norte da Inglaterra, só para me ver. Estava com saudades, pois já não a via desde Outubro de 1993. 


Chegada a Londres


Afinal, depois de recolher a bagagem, foi num instante que vi a Jeane no meio da multidão. Estava na mesma. Fomos logo apanhar um táxi para o hotel que eu tinha reservado logo em Junho - o Gatwick Skylodge Hotel. O táxi era super confortável e diferente de todos os táxis que estamos habituados a ver cá em Portugal. Claro que voltou a ser super estranho viajar do lado contrário da estrada e de ver os motoristas todos sentados no lado errado do automóvel...! Chegámos num instante, pois eu havia escolhido aquele hotel precisamente por ser perto do aeroporto - é que íamos precisar de voltar ao aeroporto no dia seguinte para partir para a América e convinha poupar dinheiro nos transportes. A Jeane já se tinha assenhoreado do quarto que eu reservara para ela e para mim e nós fomos logo “despejar” lá a bagagem. Estava um calor insuportável no hotel. E eles não tinham ar condicionado, pois na Inglaterra, como quase nunca faz calor, eles estão mais prevenidos contra o frio e não contra o calor. Telefonei à minha mãe para lhe dizer que tinha corrido tudo bem e para ela telefonar às filhas da Lu e à mãe da Sandra. Quando descemos para ir beber uma bebida fresca, deparei-me logo com vários fãs de Elvis que também ali estavam com o mesmo objectivo que nós - o Derek, a Margret, a Vera, a Joyce e a June. Fomos para a esplanada lá fora e anoiteceu. Falámos bastante sobre Elvis e variadíssimas outras coisas. Também descobrimos que este grupo de fãs ia partir mais cedo do que nós e que o vôo deles ia fazer escala em Dallas e não em Atlanta, como nós. Daí vi logo que nunca íamos encontrar o grupo inteiro de 950 fãs que iam para a América no dia seguinte, como sempre havia imaginado. Por meio da Vera soube também que ela ia estar presente na cerimónia de 11 de Agosto em Memphis, da entrega dos 100 discos de ouro a Elvis, pelas suas vendas no estrangeiro. Eu já sabia que não ia poder estar presente, pois a essa hora - 10.00h - eu ainda estava em Tupelo. De qualquer modo, só algumas pessoas é que iam estar presentes - nomeadamente, os presidentes e vice-presidentes de alguns clubes de fãs de Elvis. Vera conseguiu um convite por intermédio de um presidente de uma filial do clube de fãs inglês e estava muito contente por poder ir. Ao mesmo tempo, soube também que ela tinha um bilhete à venda que eu gostava muito de comprar. Nós tínhamos escolhido várias excursões opcionais nos Estados Unidos e havia uma que não tinha sido escolhida por já não haver bilhetes à venda. Os bilhetes já estavam esgotados em Abril e, desde então, tínhamos ficado na lista de espera sem conseguir obtê-los. Este acontecimento em particular era uma viagem pelo Rio Mississippi durante a noite, com um concerto a bordo dado por um grupo que era admirador da música de Elvis. A Vera tinha um bilhete, mas nós éramos três. Pensei que tinha de colocar esse problema à Kathy Williams - a pessoa que sabia ser a nossa guia turística lá nos E.U. e com quem tínhamos de nos encontrar no dia seguinte às 11.00h para recolher o nosso pólo de oferta da agência de viagens. A Jeane estava confiante de que ainda íamos conseguir os bilhetes, embora eu achasse o tempo demasiado curto... 

Já nos nossos quartos, a Jeane surpreendeu-me com algo que não estava mesmo à espera. Ela perguntou-me, “Tens espaço suficiente na tua mala?” “Porquê?” perguntei eu. “Porque tenho aqui um livro que queria que tivesses.” E vai ela mostra-me um livro do Sean Shaver, um dos mais famosos, The Life Of Elvis Presley, de encadernação luxuosa, bem grande e cheínho de fotografias lindas que o Sean tirou ao longo dos anos em que andou sempre atrás de Elvis. Era um bocado pesado, por isso é que a Jeane estava preocupada. “Mas queres que fique com ele? Já tens outro igual?” Ela disse-me que sim. Comecei a folheá-lo, encantada com tantas fotografias que nunca tinha visto antes... Não estava mesmo nada à espera. Acho que com o espanto e a alegria me esqueci de agradecer adequadamente à minha amiga...! 

Escusado será dizer que não dormi muito nessa noite. Não era só o calor que nos perturbava - era o facto de saber que íamos para a América no dia seguinte. Desde há vários dias que eu andava a dizer que só acreditava que ia mesmo quando estivesse dentro do avião para Atlanta. As flores da Lu estavam a aguentar-se muito bem, considerando as aventuras por que já tinham passado e o calor. Mas eu tinha um vaporizador de água e estavam com bastante bom aspecto.

9 de Agosto de 1997 - Sábado    

Aeroporto de Gatwick

De manhã tomámos um pequeno-almoço o mais português possível (!) e despedimo-nos com muita pena da Jeane, que tinha de apanhar um comboio muito cedo. Entretanto já tínhamos tirado várias fotografias. Chamámos um táxi e lá fomos nós para o aeroporto, mais uma vez. Li as instruções que a Agência de Viagens me tinha enviado para saber como encontrar a zona dos check-ins e a Kathy. Foi muito fácil. Resolvemos fazer logo o check-in. Fizeram-nos uma data de perguntas, pesaram-nos as malas, deram-nos os “boarding passes”, etc. Ah, é verdade. A minha mochila pesava 9 kg. Portanto, ainda podia trazer mais 11 kg de coisas de Elvis que comprasse lá na Elvisland...! Entretanto, tivemos uma má notícia... A Lu não podia levar o ramo de flores para a América. “Porquê?” foi a pergunta em conjunto. A senhora da Delta Airlines lamentava imenso e dizia que não sabia bem porquê, mas os Estados Unidos não permitem a entrada de várias coisas no país que venham do estrangeiro, tais como: flores, frutas, carne, peixe e tudo o que possa crescer. Penso que é para evitarem a entrada de quaisquer produtos tóxicos ou doenças e bichos que possam ir nesses produtos. No entanto, era muito triste... As rosas estavam tão bonitas, tão fresquinhas, como se tivessem sido apanhadas nesse mesmo dia. Estavam a aguentar-se mesmo bem. O que nos custou mais foi ter de as deixar no balcão da Delta Airlines no aeroporto e não as ter dado à Jeane, por exemplo. Toda a gente ficou com aquele olhar de pena, mas não foi possível fazer nada... 

Pouco depois deste triste incidente, vimos a Kathy. Ela estava com um casaco azul vestido que era exactamente da cor dos olhos dela - lindíssimos! Estava a distribuir pacotes com pólos e fui logo falar com ela. Era super simpática e nunca a tinha visto antes. Como já tinha participado em dois festivais organizados pelo clube inglês na Inglaterra, estava com esperanças de calhar com algum guia que já conhecesse e que pertencesse à organização do clube. Mas fiquei satisfeita com a simpatia dela, que era o que era mais importante. Os pólos eram muito “normais”: eram brancos e tinham bordado Elvis em letras vermelhas com o símbolo 20 Years After (20 anos depois) por baixo em azul. Nada por aí além. Andámos a matar tempo até entrarmos no avião. Não cansei de me espantar com a simpatia, amabilidade e paciência do pessoal do aeroporto que trabalha a transportar as pessoas deficientes ou com problemas de deslocação em carrinhos especiais para o efeito ou em cadeiras-de-rodas. 


Partida para Atlanta


Eu sabia que o avião devia ser grande. Sabia também que levava à volta de 200 pessoas. Mas pensava que ia ser um avião cheio só de fãs de Elvis. Descobri logo que não era. Mas quando entrei no avião, passei-me... Nunca tinha estado num avião tão grande! Tinha dois corredores, um de cada lado e as filas tinham 9 assentos, desde o princípio até ao fim - dois assentos perto das janelas e 5 assentos no meio, com os corredores a separá-los. Bolas...!, pensei eu. Fui andando, andando, até chegar ao meu lugar. Vi logo a Kathy já sentada e quando comecei a olhar à minha volta, verifiquei que eram todos fãs de Elvis, pois todos tinham o seu cartão identificativo, tal como nós, uma exigência obrigatória. Depois fiquei espantada quando, mal começámos a andar na pista, olhei para o lado e vi a Kathy já adormecida...! Como era possível dormir numa altura daquelas, meu Deus? Eu ia para a América, pensava que acreditava, mas ainda não conseguia acreditar. Eram cerca de 14.00h e sabia que nos esperava uma viagem de mais de 7 horas, uma viagem contra o tempo, pois as horas iam diminuindo consoante íamos avançando. A diferença horária era de 6 horas. 

Esta viagem também foi um bocadinho “trepidante”. Aparentemente, o ar lá por cima estava um bocado atribulado, pois o avião tremia um bocadinho, mas não tanto com o avião da British Airways, que era mais pequeno. Este era da Delta Airlines, uma companhia americana. Os ingleses iam um bocadinho apreensivos e quando me perguntaram como tinha corrido a nossa viagem de Portugal para Londres e lhes disse que tinha sido pior, ficaram um pouco mais descansados. Ou será que não...? Bem, eu pensava que me ia sentir aborrecida durante a viagem, mas tal nunca aconteceu. Primeiro, pude ver as fotografias do lindo livro que a Jeane me tinha oferecido, bem como ler algumas das passagens, com a Lu a fazer-me companhia. A Sandra estava a passar pelas brasas. Entretanto, as simpatiquíssimas hospedeiras americanas não paravam de nos oferecer verdadeiros acepipes. Digo-vos que não me lembro de ter estado muitos minutos seguidos sem estar a comer ou a beber qualquer coisa...! Incrível. Quando uma das senhoras sentadas atrás de mim me pediu o meu livro emprestado para o verem, eu decidi fazer algo que não tinha feito antes de partir, por não ter paciência. Sabia que a semana de celebrações em Memphis ia ser muito cheia de acontecimentos e que nós estávamos inscritas em muitas dessas celebrações. Então, decidi fazer um itinerário para não perdermos nada do que ia acontecer mediante as nossas possibilidades. O problema principal era não poder estar em dois sítios ao mesmo tempo...! O itinerário que fiz, com a supervisão da Lu sempre atenta ao meu lado, foi aquele pelo qual nos orientámos desde o dia 10 de Agosto até ao dia 21 de Agosto - dia em que saímos da América, com chegada a Portugal no dia 22.


Chegada a Atlanta


Durante o vôo fomos sendo sempre informados do posicionamento do avião sobre o Atlântico, sobre a altitude, temperatura exterior, velocidade do vento e velocidade a que viajávamos. Era interessante de notar que viajávamos a mais de 11.000 metros de altitude e que as temperaturas variavam entre os 40 e os 65º negativos...! A velocidade andava sempre por volta dos 600/650 km por hora. Impressionante, não?

Às tantas, vimos no ecrã que já estávamos sobre terras americanas. Estávamos quase a chegar e, ainda assim, eu não acreditava. Quando começámos a ver as árvores, as estradas e os edifícios de Atlanta, começámos a ficar verdadeiramente emocionadas. A Sandra, cujo sonho sempre havia sido ir à América - independentemente de Elvis - estava muito comovida. Quando as rodinhas tocaram no solo da pista, com toda a suavidade, eu e ela demos uns gritinhos de contentamento, dizendo, “Chegámos... Chegámos à América!” E claro que isto foi seguido de mais um “Não acredito!” perante os olhares divertidos dos nossos companheiros de viagem. A maior parte deles já tinha ido à América antes. Tenho a certeza que, embora falássemos em português, eles percebiam a nossa excitação por estarmos ali. Não quero mentir, mas acho que até batemos palmas. E lá fomos nós buscar a nossa bagagem. Antes disso tivemos de passar por mais um verdadeiro interrogatório no aeroporto de Atlanta: quem tinha feito a nossa mala, o que nos levava a visitar a América, quanto tempo íamos ficar, qual a nossa profissão em Portugal, etc, etc... O que mais me espantou neste aeroporto, foi o facto de tudo ser TÃO grande... O aeroporto inglês também é muito grande comparado com o nosso, mas este então, nem se fala. As pessoas também eram muito simpáticas. 

Não sei bem porquê, mas as minhas duas amigas estavam um pouco baralhadas, pois pensavam que já não iam precisar de andar mais de avião. “Ah, vão sim!” disse-lhes eu. Ainda tínhamos de esperar cerca de hora e meia pelo nosso avião para Memphis. Passava pouco das 18.00h (hora local) quando chegámos a Atlanta. Lá acertámos os relógios outra vez...! Enquanto explorávamos a imensidão daquele aeroporto, a Sandra descobriu uma revista toda sobre Elvis à venda num dos muitos quiosques e, claro está, comprámo-la. Ainda não a li toda, mas tem algumas coisas bastantes interessantes, como o facto de Elvis e Oprah Winfrey serem primos distantes...! A Sandra estava quase a morrer por um cigarro, pois nos aviões da Delta Airlines é proibido fumar. Eu vi um aviso escrito na casa-de-banho que dizia, “Multas se se for apanhado a fumar: 2.800 dólares”, o que é mais ou menos a bonita soma de 550 contos! Quando finalmente descobrimos uma sala de fumadores, a Sandra fumou um cigarro, só que ficou muito mal-disposta. Disse ela que era por ter ficado tantas horas sem fumar. 


Partida para Memphis


Lá voltámos nós a fazer o check-in e a entrar a bordo do avião que nos havia de levar para o nosso tão almejado destino - Memphis! O avião tinha um nome engraçado: Lucky (Sortudo) que, coincidentemente, era o nome do personagem que Elvis representou no filme Viva Las Vegas. Este vôo ia ser mais curto, cerca de uma hora, para chegar à cidade do Rei. No entanto, mal saíssemos do Estado da Georgia e entrássemos no Estado do Tennessee, tínhamos de atrasar o nosso relógio mais uma hora, por terem horas diferentes. Que grande confusão...! Com isto tudo, ainda não me tinha apercebido que já não dormia há mais de 24 horas. Embarcámos às 21.00h. Desta vez eu fiquei sentada ao lado da Lu e da Sandra, mas separada delas pelo corredor. Ao meu lado sentaram-se dois rapazes, um loiro de olhos castanhos, e um moreno de olhos verdes. Eram simpáticos, pois até me ajudaram a guardar as minhas coisas no cacifo e tudo. Já nem sei como começou a conversa, mas eu e o meu vizinho do lado não parámos de conversar desde que nos sentámos até que chegámos a Memphis. A Lu também ia sempre a conversar com uma senhora que pensei ser inglesa e fã de Elvis, com a Sandra sentada no meio a tentar dormir e a fingir que não ouvia nada. Mais tarde vim a saber que essa senhora era escocesa e que não se percebia quase nada do que ela dizia, por causa da sua pronúncia horrível...! Ainda bem que tive mais sorte.

Tanto o Trevor (o moreno de olhos verdes) como o John (o loiro de olhos castanhos) eram fãs de Elvis e viviam em Londres. O John estava completamente arrasado e adormeceu pouco depois de se sentar. O Trevor explicou que ele não tinha dormido nada na noite anterior. Eu não sabia porquê, mas também não fui perguntar. Foi tão bom falar com alguém que partilhava tantas das minhas ideias...! Era incrível, mas parecia que, por vezes, o pensamento do Trevor estava ligado ao meu. Isto pode parecer um bocado idiota de se dizer, mas até nem é. Tenho conhecido muitos fãs de Elvis e todos eles têm opiniões e ideias diferentes sobre Elvis. Acho que o Trevor foi a pessoa que conheci até agora que mais partilha das minhas opiniões. Às vezes até respondíamos em conjunto a uma mesma pergunta...! Claro que nos ríamos depois. Ele foi muito directo. Perguntou-me se era casada ou solteira. Eu respondi que era solteira e ele disse logo que era casado e que tinha dois filhos: um rapaz de 11 anos, chamado Aaron (adivinhem porquê?) e outro rapaz de 6 anos, chamado Ben. Gostei que ele tivesse sido tão directo, pelo menos deu logo a entender que estava ali para se divertir, mas não para engatar ninguém. Uma atitude que já não era bem partilhada pelo John...! Falei com ele tantas vezes e fiquei sem saber se era casado ou solteiro, nem que idade tinha...! O Trevor tem 36 anos. A viagem passou num instante.


Chegada a Memphis


Até que não chegámos muito tarde, mas tínhamos de apanhar o autocarro para Tupelo, a cidade onde Elvis nasceu, que era noutro estado, desta vez o de Mississippi. Estávamos todos assim como que um bocado aborrecidos, por ter de sair de Memphis e andar para trás, para Tupelo. Mas era esse o nosso itinerário. A Jeane sempre me tinha dito que eu ia adorar Tupelo, que a vida lá era muito pacata, que as pessoas eram super simpáticas. Tinha-me também sempre avisado para absorver bem o ambiente e tudo o que visse.

Lá fomos nós buscar as nossas malas. O John acordou, um bocado contrariado! Foi para ao pé de mim e só depois de olhar para o cartão identificativo dele é que vi qual era o seu último nome: John Wilkinson! Reparei nisso porque ele estava a dizer-me que ia participar na exposição de arte que ficava na Graceland Plaza (à frente de Graceland) com um dos seus desenhos e eu quis ver qual era o seu último nome. Também fiquei um pouco aborrecida por não ter sabido desta exposição mais cedo (só tive conhecimento dela a bordo do avião para Atlanta), pois com certeza que teria participado com um dos meus desenhos, ou a minha camisola de Elvis tricotada ou algum dos bordados. Paciência... Mas voltando ao nome, eu ri-me e disse que nunca me ia esquecer do nome dele, pois tinha o nome do guitarrista de Elvis! E acreditam que ele nunca tinha reparado...? Acho que o John não é assim um fã de Elvis tão grande como isso, ou então é mais despassarado. Tanto o Trevor como eu conhecemos os nomes de todos os músicos e cantores de apoio de Elvis. Bem... mas pensando bem, há fãs que não se ralam muito com isso, não é verdade? 

Quando chegámos ao aeroporto de Memphis, vimos o primeiro indício de que estávamos na terra do Rei, sem contar com o nome da cidade, claro! Vimos um cartaz luminoso com Graceland e uma imagem de Elvis a “rockar”, incitando as pessoas a visitar a sua casa. A Sandra voltou a subir as escadas rolantes, para voltar a descer e tirar uma fotografia...! Entretanto, já íamos no segundo rolo de 36 fotografias. Fomos para a rua e a Kathy disse-nos que íamos entrar a bordo da nossa camioneta, cujo número é: “O 12!” gritámos todos em conjunto. A Kathy estava sempre a testar-nos para ver se prestávamos atenção ao que ela nos dizia. A camioneta 12 seria sempre a nossa camioneta para as excursões durante a nossa estadia. Guardámos as malas na bagagem do autocarro, com a ajuda de uma jovem de raça negra. Respirei bem fundo o ar de Memphis, para ver como era. Estava calor e a melhor forma que tenho para vos descrever a humidade que também se sentia é de estar numa sala cheia de vapor de água. Quando respirei, parecia que os meus pulmões ficavam cheios de gotículas microscópicas de água. E, na realidade, estávamos mesmo a inspirar água. Depois tirámos a nossa primeira fotografia em conjunto em Memphis. Um dos nossos companheiros de viagem, um senhor já um pouco idoso, ofereceu-se para nos fotografar às 3. A Lu e a Sandra tiraram os sapatos para sentir a terra de Memphis com os pés! Eu não o fiz, pois toda a camioneta estava à nossa espera para nos irmos embora e como tinha ténis, era mais difícil para descalçar. 

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