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Beale Street Blues (Visita a Memphis)
Carlos Santos, Novembro de 2000
Foto de Sandra Santos.

 Perspectiva de Beale Street.

Quem lá chega não consegue deixar de imaginar o pequeno Elvis a caminhar por ali. Aquela rua cheira a tradição, ouve-se blues em cada café, em cada loja, em cada restaurante; os estabelecimentos têm colunas de som exteriores e cada um toca o seu blues. Se lhe disserem “Bom-Dia” a cada passo que dá , isso é…  simpatia sulista.

Vamos entrar no Elvis Presley’s Memphis Restaurant. Quem passa pelas enormes portas vai encontrar um espaço amplo, com uma decoração a rondar o luxuoso, um palco com um ecrã gigante onde passam imagens de algum espectáculo de Elvis e aquelas colunas sempre a emitir as grandes canções da lenda que dá nome ao restaurante.


Em várias vitrines você poderá contemplar inúmeros pertences a Elvis que o vão deslumbrar. Num restaurante daquela categoria, em Portugal, você entraria e seria bem servido se fosse de fato e gravata; ali, não. Vista-se de ganga, de calções e t-shirt, vá
  de ténis ou de sandálias, e será servido com toda a simpatia e atenção – não se vai sentir estrangeiro, vão tratá-lo maravilhosamente bem. A ementa é óptima e pode muito bem pedir um dos pratos favoritos do rei. Por 6.000$00 duas pessoas comem mais que muito, rodeadas por objectos e música de Elvis.

Ao sair, depois de almoçar, perca tempo a admirar as montras de vários estabelecimentos adornadas com guitarras antigas e lindas, a maioria delas autografadas por grandes nomes do blues. Cuidado ao andar, não vá pisar a marca das mãos de Jerry Lee Lewis no
  passeio.  Em  qualquer loja que  entre  vai  ver  tanta coisa de Elvis que vai enlouquecer: desde guitarras que custam 1.000 contos, até  corta-unhas que custam 500 escudos. Se quiser ver uma loja onde há de tudo, entre na Shwabs – uma loja de três pisos tão grande mal se mexe lá dentro. Não se esqueça de fotografar a estátua de Elvis em frente do restaurante onde almoçou. Passe a tarde a fazer compras, pois não tem de gastar muito dinheiro para comprar montes de coisas bonitas – aconselho as magníficas t-shirts de Elvis. Páre num dos muitos cafés para tomar uma bebida, pode ser uma Budweiser bem fresca, deixe-se lá  ficar à  conversa e pode ser que, subitamente, dê de caras com Jerry Schilling, um grande amigo de Elvis, meta conversa, ele é  muito simpático e facilmente lhe dá um autógrafo.

Deixe que a noite o apanhe em plena Beale Street, os letreiros luminosos vão acender-se para lhe dar as boas-vindas; são tantos, um mais bonito que o outro, você vai querer fotografar tudo, filmar tudo…
  então, você  pára e dá  conta que está  a pisar o chão que Elvis pisou, está  em frente ao B.B. King Blues Café numa rua de nome Beale, onde Elvis bebeu o espírito dos grandes homens e que se tornou Elvis Presley. Você dá  graças a Elvis pelo rock’n’roll…  e depois aparece aquela lágrima que não tem graça nenhuma…  


  I THINK I’LL START ALL OVER, SWING MY GUITAR OVER MY BACK, GONNA GET MYSELF DOWN ON THE TRACK AND NEVER NEVER GONNA LOOK BACK…!

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